Organizadores de fórum sobre migrações convocam sociedade em ato no Masp

Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil

Como tema Migrantes construindo alternativas frente à desordem e a crise global do capital, o fórum começa hoje na Universidade Zumbi dos PalmaresRovena Rosa/Agência Brasil

Organizadores e participantes da sétima edição do Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM), que começa hoje (7) na capital paulista, fizeram um ato pela manhã no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, para chamar a sociedade civil para participar do evento.

Com o tema Migrantes construindo alternativas frente à desordem e a crise global do capital, o encontro ocorrerá em São Paulo porque a cidade foi a primeira da América Latina a criar políticas públicas específicas para migrantes e por ser um dos principais eixos de concentração em relação ao continente americano.

De acordo com a organização, o evento, que termina domingo (10), é um espaço aberto, plural e diversificado para propor ações concretas para melhorar as condições migratórias da atualidade. Serão organizados debates e trocas de experiências mediante o diálogo intercultural, com o objetivo de criar um ambiente propício para reflexão migratória, um debate democrático que se opõe ao neoliberalismo e capitalismo.

O fórum terá eixos temáticos e contará com a presença de referências internacionais no assunto. A ideia é que os migrantes sejam os principais atores do processo.

Conforme os organizadores, o tema já entrou para a agenda de diversos paísesRovena Rosa/Agência Brasil

"Estamos fazendo o ato para chamar as pessoas e mostrar o que realmente está acontecendo com os migrantes e refugiados no Brasil e no mundo. Esta é uma forma de conversar com a população que passa por aqui. Temos de entender o que é refúgio e o que é migrante. Nas duas situações, temos de olhar para o ser humano e não para o capital", afirmou um dos membros do Comitê internacional do Fórum, Miguel Ahumada.

Ahumada informou que a sociedade civil e os governos precisam começar a se interessar pelo tema, que já entrou para a agenda de diversos países. "Quando falamos desordem não estamos falando dos migrantes e dos refugiados, mas sim do capital, que significa o lucro que não deixa que migrantes e refugiados sejam olhados de forma diferenciada."

Para Ahumad, esses grupos fazem parte de uma grande diversidade cultural e de qualificação, mesmo que suas profissões não sejam reconhecidas no Brasil. Esse será um dos temas discutidos no fórum.

"Temos engenheiros, médicos, professores que chegam aqui e não podem trabalhar porque não podem revalidar seus diplomas. Isso cria uma série de problemas de inserção das pessoas na sociedade e no mercado de trabalho. Veja só. Você estudou e, por se mudar de país, sua profissão não é reconhecida."

O Fórum Social Mundial das Migrações é realizado na Universidade Zumbi dos Palmares.

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