Protestos contra violência policial nos EUA são marcados por confronto e prisões

José Romildo - Correspondente da Agência Brasil

No terceiro dia consecutivo de protestos contra a ação violenta da polícia em relação aos negros, milhares de manifestantes fizeram passeatas ontem (9) pelas ruas de Nova York, Washington e dezenas de outras cidades dos Estados Unidos. Em algumas localidades, houve prisões, tumultos e pessoas feridas em consequência do conflito entre manifestantes e policiais. Os líderes dos movimentos pretendem continuar protestando hoje (10) e nos próximos dias.

Os manifestantes protestam contra a morte de dois negros, por policiais brancos, em uma das semanas mais violentas - envolvendo questões raciais - da história recente dos Estados Unidos.

Centenas de manifestantes marcharam da Prefeitura de Nova York, até a Union Square, uma área histórica importante da cidade. A multidão, que passou pela 5ª Avenida, ecoava as palavras de ordem: "Não à polícia racista" e "Sem justiça, não há paz".

Em Washington, a capital dos Estados Unidos, dezenas de pessoas protestaram pacificamente do lado de fora do prédio do Departamento de Justiça norte-americano. Os manifestantes seguravam velas e cantavam "Não nos moverão". As polícias local e federal monitoraram o protesto.

A Rodovia I-94, que atravessa Minneapolis e Saint Paul, as duas principais cidades do estado de Minnesota, foi bloqueada por manifestantes. Com a chegada da polícia, os manifestantes tiveram que desbloquear a estrada. Ao serem desmobilizados, porém, jogaram pedras, garrafas e até restos de material de construção civil nos policiais. Três integrantes das forças de segurança foram feridos. A polícia fez prisões, disparou balas de borracha e jogou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Segundo a polícia, a estrada voltará a ser aberta hoje (10).

Nas ruas de São Francisco, no estado da Califórnia, centenas de manifestantes bloquearam ruas da cidade. Eles impediram a entrada e a saída de veículos da Ponte Bay, que liga São Francisco à cidade de Oakland. A polícia da Califórnia interveio em pelo menos duas ocasiões para liberar o tráfego pela ponte.

Houve também protestos na região central da Califórnia, onde manifestantes bloquearam estradas.

Em Denver, capital do estado de Colorado, manifestantes estão sentados em frente ao prédio da prefeitura ou acampadas no Parque Cívico da cidade. Eles afirmam que vão ficar lá por vários dias.

Centenas de pessoas fizeram passeata pacífica em West Palm Beach e Fort Lauderdale, na Flórida, como parte do movimento em favor das causas dos afrodescendentes.

Contexto

Os protestos estão ocorrendo em razão da morte de negros durante esta semana, em situações e locais distintos. As ações policiais foram filmadas em aparelhos celulares e divulgadas pelas redes sociais. A ampla exibição dos vídeos contribuiu para aumentar o sentimento de indignação em comunidades que lutam pelos direitos humanos nos Estados Unidos.

No primeiro incidente, Alton Sterling, 37 anos, estava vendendo CDs em uma loja de conveniência, terça-feira (5), em Baton Rouge, capital do estado de Louisiana, quando policiais que o abordaram, ordenaram que ele se deitasse ao chão e o mataram a tiros. A ação dos policiais foi filmada por uma testemunha.

No segundo caso, Philando Castile, 32 anos, foi morto a tiros na quarta-feira (6) por um policial em uma blitz de rotina próxima à cidade de Saint Paul, no estado de Minnesota. A morte de Philando foi filmada pela sua namorada, Diamond "Lavish" Reynolds, que estava no carro. A filha de Diamond, de quatro anos, encontrava-se igualmente no veículo.

Na quinta-feira (7), em Dallas, no estado do Texas, centenas de pessoas foram às ruas para protestar contra a morte de Alton Sterling e Philando Castile. O protesto, que estava sendo acompanhado por um cordão de segurança formado por policiais da cidade, transcorria calmo. Por volta das 21h, porém, um reservista do Exército americano, identificado como Micah Johnson de Mesquite, atirou e matou cinco policiais. Cercado pela polícia, durante negociações que duraram várias horas, o atirador negou-se a se entregar. A polícia, então, acionou um robô equipado com uma bomba e matou o reservista.

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