Governo paulista terá que restaurar Chaminé da Luz, símbolo da Revolta de 1924

Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil

O governo do estado de São Paulo foi condenado pela Justiça Federal a restaurar e preservar a Chaminé da Luz, no centro da capital paulista, que pertencia à antiga Usina Elétrica da Luz, foi construída entre 1892 e 1896 e é símbolo do processo de eletrificação da cidade, além de ter em suas paredes resquícios da Revolta Paulista de 1924.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), autor da ação, a chaminé encontra-se em avançado estado de degradação, com grande quantidade de lixo nas instalações. O MPF ressalta que há necessidade de reparos importantes na estrutura da edificação e no sistema de para-raios.

De acordo com a sentença, o governo estadual deverá apresentar, dentro de um mês, um projeto de reparos emergenciais e manutenção mínima da Chaminé da Luz e iniciar sua execução no prazo de 45 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

A Justiça determinou também que o Município de São Paulo e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fiscalizem o cumprimento da decisão e, em caso de comprovada insuficiência econômica do governo estadual, repassem recursos financeiros ao governo de São Paulo. A decisão obriga ainda a prefeitura a tomar providências em relação à utilização do monumento por moradores de rua.

A decisão judicial concluiu que o estado de São Paulo é o proprietário da Chaminé da Luz e responsável por sua preservação. Nos últimos anos, a propriedade do monumento vinha sendo alvo de divergências: o governo estadual alegava ter transferido o monumento ao patrimônio municipal, enquanto a prefeitura entendia que o imóvel estava em área de propriedade estadual.

A Revolta

A Revolta Paulista de 1924, também conhecida como Revolução Esquecida, Revolução do Isidoro, Revolução de 1924 e Segundo 5 de julho, foi motivada pelo descontentamento dos militares com a crise econômica e a concentração de poder nas mãos de políticos de São Paulo e Minas Gerais. O objetivo principal do levante era depor o presidente Artur Bernardes e entre as reivindicações dos revoltosos estavam o voto secreto, a justiça gratuita e a instauração do ensino público obrigatório.

Iniciada na madrugada de 5 de julho, foi a segunda revolta tenentista, assim chamada pela participação de muitos tenentes do Exército, tal como na primeira rebelião tenentista, no Rio de Janeiro, dois anos antes, conhecida com a Revolta dos 18 do Forte [de Copacabana].

A revolta paulista terminou em 28 de julho de 1924 com a derrota dos rebelados pelas forças federais, na cidade de Três Lagoas, no atual Mato Grosso do Sul, depois que os rebeldes deixaram a capital do estado para escapar do exército legalista. Durante o conflito, vários bairros da cidade foram bombardeados por aviões do governo federal.

Nos 24 dias de conflito, mil pessoas morreram e quatro mil ficara m feridas. A rebelião foi comandada pelo general reformado Isidoro Dias Lopes e teve a participação, entre outros militares, de Eduardo Gomes, que na década de 50, já brigadeiro, seria candidato à presidência da República, derrotado por Getúlio Vargas.

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