Suplicy diz que participou de reintegração para evitar violência policial

Camila Boehm e Elaine Patrícia Cruz - Repórteres da Agência Brasil

Detido hoje (25) pela pela Polícia Militar durante protesto contra a reintegração de posse de uma área na zona oeste da cidade de São Paulo, o ex-senador Eduardo Suplicy disse que estava no local para tentar mediar a ação e evitar a violência na desocupação. Levado para o 75º Distrito Policial, o ex-senador foi liberado por volta das 15h, após dar explicações sobre a situação.

Suplicy contou que, de manhã, recebeu um telefonema de representantes da ocupação Terra Pelada pedindo que ele fosse até lá porque a reintegração de posse do local estava sendo cumprida, apesar de um pedido de adiamento feito à prefeitura no dia anterior. "Então eu fui até lá. Quando cheguei, fiquei um pouco preocupado porque eu vi umas oito bombas de gás lacrimogêneo sendo estouradas ali", disse o ex-senador à Agência Brasil

Junto à oficial de Justiça, ao capitão da operação de reintegração, e ao secretário de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo, Luiz Antônio Medeiros, Suplicy caminhou pelo local onde as bombas teriam estourado e viu uma mulher passando mal por causa do gás, carregando um colchão. Policiais militares disseram a Suplicy que houve tiros por parte de alguns dos moradores. "Então fiquei preocupado com aquelas ações de violência".

O ex-senador disse que ficou preocupado quando os PMs se organizaram em fileiras, com escudos, e se prepararam para subir por uma das ruas e os moradores também se organizaram para reagir e evitar a entrada dos policiais. "Aí fiquei temeroso que pudesse haver uma ação de violência ali e com consequências graves".

Foi então que Suplicy decidiu deitar no chão junto com outros moradores para impedir que a polícia avançasse. "Me deitei, diversas mulheres se deitaram ao meu lado e daí o capitão e a oficial de Justiça ficaram preocupados e pediram se eu poderia voluntariamente sair. Eu falei 'olha, eu não vou sair e também não vou criar resistência se quiserem me levar'. E foi então que determinaram que a polícia deveria me levar e me carregaram."

A justificativa para a detenção de Suplicy foi obstrução do caminho da polícia. "Mas o meu objetivo foi esse, eu expliquei à polícia, foi para prevenir que houvesse qualquer violência entre eles", alegou o ex-senador.

Secretaria

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo, o ex-senador "desobedeceu a ordem dos oficiais de Justiça de desobstruir a via e teve que ser retirado do local pelos policiais". Mais duas pessoas também foram detidas e encaminhadas para o 75º DP. O órgão não informou se os outros dois detidos também foram liberados.

O secretário estadual de Segurança Pública, Mágino Alves, ao qual a PM está subordinada, defendeu a ação policial e disse que, se houve equívoco durante a ação de reintegração, foi do ex-senador, por "comparecer a um local onde já havia uma conturbação desde o início da madrugada".

A Casa Civil de São Paulo considera que Suplicy tentou "tumultuar uma reintegração de posse" e que "obstruiu a via mesmo após negociação". Segundo o governo estadual, a ordem de prisão foi dada pela oficial de Justiça Vilma Martins Coelho, funcionária do Tribunal de Justiça de São Paulo.

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