Não há previsão para última família se mudar para Vila Autódromo, diz secretaria

Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil

A Secretaria Municipal de Concessões e Parcerias Público Privadas disse que não há previsão de quando o único morador que ainda não se mudou para a Vila Autódromo possa receber o imóvel, que passa por nova vistoria. Ele faz parte do grupo de 20 famílias remanescentes da vila que ficava ao lado do antigo Autódromo de Jacarepaguá e que resistiram à remoção das casas que foram demolidas para dar lugar ao Parque Olímpico.

As demais 19 famílias mudaram-se na sexta-feira (29), mas o morador suspeitou que havia um vazamento na parte de frente da casa e preferiu não receber o imóvel até que o suposto problema fosse solucionado. Enquanto ele não se muda, permanece morando na casa antiga, na área onde houve as remoções.

Para a defensora pública titular do Rio de Janeiro, Adriana Magalhães Beviláqua, não havia problemas para o recebimento das casas, que já tinham sido vistoriadas por arquitetos da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os especialistas acompanharam as obras e deram aprovação para que os moradores ocupassem os imóveis. De acordo com a defensora, a recusa do morador contrariou a avaliação do corpo técnico das universidades e da Defensoria.

"Essas pessoas acompanharam a obra e são estes técnicos que estavam dizendo que estava tudo direito. Não tinha razão que ensejasse uma recusa das chaves, só que o Bruno não se contentou com este parecer da equipe técnica e se recusou", disse Adriana.

Nova casa

A acupunturista Sandra Maria de Souza, 48 anos, tem quatro filhos e há 25 anos morava na antiga Vila Autódromo e sexta-feira mudou-se para uma casa no conjunto que leva o mesmo nome do local onde morava. Foi na antiga vila que seus filhos nasceram. O mais novo tem 12 anos e o mais velho 25 anos, três mulheres e um homem.

A antiga Vila Autódromo tinha 40 anos quando a prefeitura decidiu retirar as 583 famílias que moravam lá para a construção do Parque Olímpico. Parte delas, foi indenizada, outro grupo aceitou se transferir para apartamentos de condomínios do Programa Minha Casa Minha Vida e famílias como a de Sandra permaneceram na área.

"Nós queríamos que tivessem ficado mais pessoas, mas é uma vitória ter permanecido. Infelizmente somente 20 famílias conseguiram chegar até o final", disse Sandra. Para ela, era muito importante para estes moradores continuarem no local.

Lotes de 180 m²

No acordo assinado pelos moradores com a prefeitura, no dia 13 de abril, e que teve intermediação da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, ficou acertado que cada família teria direito a um lote de 180 metros quadrados (m²), com área construída de 56,46 m² e área útil de 48,95m². Todas as moradias têm dois quartos, sala, cozinha, banheiro e um jardim de inverno, com possibilidade de expansão para a construção de um segundo andar.

"Eles vão poder fazer expansão horizontal e vertical, quer dizer, construir um segundo andar e se quiserem ampliar um pouco para os fundos ou para frente da casa também podem. Elas não são geminadas. No projeto original da prefeitura, seriam. Isso também foi uma conquista dos moradores. Dentro do que foi possível acho que foi satisfatório para os moradores", disse a defensora pública Adriana Beviláqua, que acompanhou a entrega dos imóveis e o acordo entre o município e os moradores.

A entrega das chaves não conclui o cumprimento do acordo. Segundo a defensora ainda faltam ser construídos a sede da Associação de Moradores e o Centro Cultural, o que deve ocorrer o mais breve possível. Além disso, a prefeitura tem que liberar ainda o Habite-se e os títulos de concessão real. "Ainda não acabou o acompanhamento da Defensoria. A gente tem que zelar pelo cumprimento integral do contrato", disse.

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