Prédio do Time Brasil na Vila Olímpica tem laboratório bioquímico e videogames

Vinicius Lisboa - Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Vila Olímpica dos Jogos Rio 2016, na Barra da Tijuca Fernando Frazão/Agência Brasil

Nos 31 prédios da Vila Olímpica, no Rio, há delegações que ocupam apenas um andar e outras que preenchem um edifício inteiro. Com 465 atletas, o Time Brasil é um dos do que têm à disposição os 17 andares, e o esforço para deixar a delegação mais competitiva e confortável levou para o local desde videogames a um laboratório. No momento, cerca de 200 atletas brasileiros estão na vila, número que poderá ser bem maior entre os dias 10 e 14 de agosto, quando a equipe de natação já estará de saída, e a de atletismo, entrando.

A gerente de Planejamento Esportivo do Comitê Olímpico do Brasil e medalhista olímpica, Adriana Behar, diz que o refeitório pode até ser o maior espaço de convivência dos atletas olímpicos, mas que o prédio acaba sendo o mais descontraído e tranquilo. "Você cria uma integração, porque atletas de modalidades diferentes ficam brincando e se conhecendo. Aqui é mais tranquilo, eles podem fazer uma brincadeira e voltar para os seus quartos", afirma, mostrando os videogames da sala de convivência do prédio, que conquistaram as atletas do futebol feminino com jogos de corrida. A sala funciona das 8h às 20h e tem também sofás e ambientes para relaxar e confraternizar.

"A gente não se estende muito para que todos possam ter seus momentos de relaxamento e voltar para os seus quartos", diz a gerente. "As competições são a prioridade de todos".

À noite é quando a sala fica mais cheia, quando muitos atletas já voltaram de seus treinos. Quando vê a atmosfera do prédio, a medalhista, que agora faz parte do comando da missão brasileira na olimpíada, confessa que sente saudade. "Todo dia me emociono. Todo dia é novo, especial. É sempre uma emoção muito grande estar em uma vila esperando o momento da abertura e ver os outros países chegando".

As condições de hospedagem do Time Brasil estão entre as melhores já disponibilizadas para os atletas, segundo Behar. Cada quarto é dividido por no máximo duas pessoas, e todos são suítes, o que garante privacidade e rapidez no dia a dia. Atletas da mesma modalidade costumam ocupar os mesmos apartamentos, situação em que estão Thiagus e Oswaldo, do handebol.

Rio de Janeiro - Vila Olímpica dos Jogos Rio 2016, na Barra da Tijuca (Fernando Frazão/Agência Brasil)Fernando Frazão/Agência Brasil

Thiagus explica que a seleção masculina ocupa dois apartamentos, cada um com cinco quartos. Quando não estão descansando após os treinos, nem na sala de convivência, ele conta que os atletas gostam de passear pela vila, a pé ou em uma das bicicletas disponíveis no prédio brasileiro para empréstimo. O desgaste da preparação, no entanto, faz com que a prioridade seja mesmo o descanso. "Cada um tem seu horário e acabo nem vendo quem está no meu andar. No térreo, a gente consegue conversar mais".

Oswaldo afirma estar adaptado à Vila Olímpica, já que chegou na terça-feira da semana passada. À medida que a abertura fica mais perto, ele vê o condomínio mais movimentado e cada vez melhor. "Vai dando mais ansiedade. As equipes com as quais a gente vai jogar já estão todas aí. Estou muito feliz por estar vivendo este momento", diz o atleta, acrescentando que não tem muito tempo para contato com os estrangeiros. "Há treino, vemos vídeos, preparação psicológica e tudo mais. Estamos com os dias bem ocupados".

No prédio, o Time Brasil tem consultórios médicos, um laboratório para análises bioquímicas, salas de reunião e até de edição de vídeo, onde todo o material filmado pelo serviço de transmissão oficial dos jogos, a OBS, é catalogado e disponibilizado para os treinadores de cada modalidade. De podólogos a ginecologistas, 45 profissionais acompanham os atletas e avaliam diariamente suas condições de saúde, podendo inclusive apontar se estão treinando pesado demais ou se ainda podem aumentar o rendimento.

"A importância é a rapidez na informação e como a gente promove essa informação para os treinadores. Aqui, temos uma integração grande de profissionais que conseguem trabalhar com os atletas logo após as competições e os treinamentos", conta o chefe adjunto de missão, Jorge Bichara.

O laboratório bioquímico do prédio tem previsão de realizar pelo menos 2 mil testes durante as olimpíadas, com exames de sangue e urina que ficam prontos em três a 15 minutos e medem a integridade física e saúde dos atletas antes e depois de treinos. Os exames têm viés apenas nutricional, para a análise metabólica, não servindo para o controle de dopagem. "Nosso viés é sempre das correções por meio da complementação alimentar", explica Bichara.

Perto dos brasileiros, representantes de outros países latinoamericanos ocupam dois prédios, como os argentinos, os venezuelanos, os equatorianos e os mexicanos. Em outro, asiáticos de países como a Índia e a Coreia do Norte circulam nos arredores do edifício do Time Brasil, que ostenta a maior faixa entre todos os prédios da vila e uma das mais visíveis para quem passa na rua. Da janela de alguns apartamentos, as arenas do Parque Olímpico fazem parte da paisagem, que inclui montanhas, lagoas e prédios da zona oeste do Rio.

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