Servidores da área de segurança paralisam atividades no Rio Grande do Sul

Daniel Isaia - Correspondente da Agência Brasil

Servidores da área de segurança pública do Rio Grande do Sul paralisaram as atividades hoje (4) em protesto contra o parcelamento de salários do Executivo estadual. A interrupção dos trabalhos estava marcada para ocorrer apenas nesta quinta-feira, mas os servidores pretendem seguir em operação padrão até que o pagamento referente ao mês de julho seja totalizado pelo governo. É a sexta vez seguida que o governo do estado parcela os salários dos servidores.

No começo da semana, os sindicatos dos trabalhadores do setor sugeriram aos cidadãos que evitassem sair de casa no dia da paralisação, para evitar problemas com a falta de policiamento. Com isso, parte das escolas estaduais não abriu as portas. As escolas municipais e as particulares, no entanto, funcionaram normalmente.

Ontem (3), a 5ª Vara do Trabalho de Porto Alegre havia concedido uma liminar determinando que os bancos permanecessem fechados durante a paralisação para "preservar a segurança dos bancários". No entanto, a liminar foi derrubada na madrugada de hoje por um desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, e os bancos funcionaram normalmente ao longo do dia.

Segundo o Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sinpol-RS), a adesão da categoria à paralisação foi significativa. Serviços essenciais foram mantidos para atender apenas a ocorrências de crimes hediondos e contra crianças, idosos e mulheres. De acordo com o sindicato, as operações policiais permanecerão suspensas até que o pagamento dos salários seja integralizado.

"Esperamos que o governo do estado implante políticas que venham a corrigir as distorções em relação à arrecadação, para corrigir o pagamento dos salários", disse o vice-presidente do Sinpol-RS, Emerson Ayres. Ele sugeriu o combate à sonegação fiscal como possível solução para a situação financeira do Rio Grande do Sul.

Apesar da paralisação, os policiais da Brigada Militar (BM) permaneceram em serviço, promovendo apenas manifestações em frente a alguns quartéis. A corporação informa que, inclusive, aumentou o efetivo em cerca de 35% n a manhã de hoje.

O subcomandante-geral da BM, coronel Andreis Silvio Dal'Lago, explicou que o reforço no policiamento foi necessário porque grupos estariam combinando nas redes sociais a prática de crimes durante a paralisação. Além do aumento no efetivo, as trocas de turnos foram agilizadas e as tropas especiais pernoitaram em locais diferentes dos costumeiros.

"Com isso, garantimos a proteção à sociedade gaúcha, cumprimos nossa missão institucional e demos garantia aos brigadianos de fazer a sua justa e democrática manifestação", afirmou o coronel. Segundo Dal'Lago, não foram registrados incidentes com manifestantes ao longo da quinta-feira.

Resposta do governo

Pagamento  do  funcionalismo  consome  75% da receita gaúcha, diz José Ivo Sartori  Arquivo/ABr

O governo estadual considerou "pacíficas" e "ordeiras" as manifestações dos servidores da segurança pública. Em nota, o Executivo diz que "compreende as dificuldades que os servidores estão passando devido ao parcelamento dos salários" e destaca a "perseverança" daqueles que permaneceram nos postos de trabalho ao longo do dia.

"Se houvesse alternativa para revertermos o parcelamento dos salários neste momento, seríamos os primeiros a adotá-la. A dificuldade do governo é a dificuldade de toda a sociedade", afirmou o chefe da Casa Civil gaúcha, Márcio Biolchi. Ele ressaltou que o Executivo precisa compreender a crítica e usá-la como fonte de pressão para que a situação não se agrave.

Hoje à tarde, em palestra para empresários da Região Sul, o governador José Ivo Sartori falou sobre as paralisações na segurança pública. "O clima de pânico, criado por algumas organizações sindicais, prejudica 11 milhões de gaúchos e favorece a criminalidade", disse Sartori.

O governador também apresentou a situação financeira do estado aos empresários, lamentando que a despesa com inativos represente 55% da folha dos servidores.

De acordo com Sartori, o pagamento do funcionalismo consome 75% da receita gaúcha. "Sobra muito pouco para investimento, e a fonte de recursos para os demais poderes é a mesma. A melhoria no padrão da gestão pública é fundamental para mudar esse cenário. É o que estamos fazendo, por meio do Acordo de Resultados, com apoio do Movimento Brasil Competitivo e do Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade", ressaltou o governador.

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