Com apoio da "zika", Suécia vence os Estados Unidos nos pênaltis

Gésio Passos - Do Portal EBC

Com total apoio da torcida brasileira no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, a Suécia venceu os Estados Unidos nos pênaltis, por 4 a 3, e se classificou para as semifinais do futebol feminino na Rio 2016. As norte-americanas, tetracampeãs olímpicas e tricampeãs mundiais, eram favoritas para o ouro e nunca haviam ficado fora de uma decisão olímpica. Os EUA, inclusive, já eliminaram a seleção brasileira em duas finais olímpicas.

 

Suécia vence os Estados Unidos e tira as norte-americanas da disputa por uma medalha na Rio 2016Reuters/Ueslei Marcelino/Direitos Reservados

Como nas outras partidas dos Estados Unidos durante os Jogos, nas arquibancadas do Mané Garrincha, os gritos mais ouvidos era de "Zikaaaa", todas as vezes que a goleira dos Estados Unidos, Hope Solo, pegava na bola. Isso porque a jogadora havia publicado nas redes sociais foto com uma "proteção exagerada" contra o vírus Zika e o temor de vir ao Brasil. Ela acabou pedindo desculpas ao povo brasileiro quando chegou para os Jogos. 

Goleira dos Estados Unidos, Hope SoloReuters/Ueslei Marcelino/Direitos Reservados

O brasileiro Henrique Vilela disse que vai aos Estados Unidos todo ano e foi ao estádio com a bandeira norte-americana para torcer. Para ele, a torcida brasileira pelos suecos é algo natural, já que "a equipe sueca é mais fraca e quem passar iria pegar o Brasil".

"Não tem nenhum motivo para torcer para Suécia, é mais pelo que a goleira falou do Zika mesmo", disse Laura Lima, que estava torcendo contra os Estados Unidos.

As suecas viram Brasília se transformar em Estocolmo, capital do país escandinavo, a cada grito da torcida.

Mas o apoio dos torcedores pode acabar já na próxima rodada. Se a seleção brasileira vencer a Austrália, na noite de hoje (12), as suecas serão as nossas próximas adversárias na semifinal.

Após um primeiro tempo ruim, as equipes voltaram ao jogo com mais audácia. Aos 16 minutos, em um contra-ataque fulminante, a atacante sueca Stina Blackstenius partiu em direção ao gol e apenas deslocou da goleira Hope Solo: 1 a 0 para alegria do público.

Com resultado adverso, os Estados Unidos passaram a pressionar em busca do resultado. Aos 32 minutos do segundo tempo, após a bola ser alçada na área, sobrou para Alex Morgan chutar de primeira e empatar o jogo, 1 a 1. As duas equipes foram ao ataque em busca do resultado, mas não conseguiram o gol.

Na prorrogação, as duas seleções ainda tiveram gols anulados. Foram marcados impedimentos de Carli Lloyd, pelos Estados Unidos, e, em seguida, de Lotta Schelin, da Suécia. Com o placar igual, a partida foi para a decisão por pênaltis.

A torcida se deslocou para ficar atrás do gol, onde foram definidas as cobranças, e para pressionar a goleira Hope Solo e apoiar o time europeu. A sueca Hedvig Lindahl defendeu a primeira cobrança de Alex Morgan.

Hope Solo ainda salvou a terceira cobrança sueca de Linda Sembrant. Mas na última cobrança, a atacante norte-americana Christen Press isolou a bola. Coube a Lisa Dahlkvist superar a catimba de Solo e garantir a Suécia nas semifinais olímpicas.

Apoio da torcida

Para o embaixador sueco em Brasília, Per-Arne Hjelmborn, que assistia à partida da arquibancada com alguns compatriotas, "as meninas fizeram uma partida fantástica, com muita garra e muita disciplina".

Ele agradeceu o apoio da torcida do Brasil, mas acha que a conquista da medalha de ouro pode ser ainda mais difícil, já que podem enfrentar a seleção brasileira.

A goleira sueca Hedvig Lindahl estava entusiasmada ao final da partida. Ela agradeceu o "surpreendente apoio da torcida brasileira" para vencer a melhor seleção do mundo.

A técnica da Suécia Pia Sundhage considerou que a equipe fez uma boa partida, e não entrou em polêmica sobre as declarações de atletas dos Estados Unidos, que disseram que o time sueco era "covarde".

"Elas já ganharam muitas vezes. Foi a nossa vez de vencer", disse a técnica, em entrevista coletiva.

Jogo por igualdade

Algumas jogadoras dos Estados Unidos ameaçaram não participar dos Jogos do Rio caso a confederação norte-americana continuasse a pagar prêmios menores para as mulheres do que os homens da seleção de futebol.

Hope Solo, Becy Sauerbrunn, Carli Lloyd, Alex Morgan e Morgan Brian, as principais jogadoras do time, entraram com uma representação contra a confederação, mas acabaram vindo para o Brasil.

Na entrevista coletiva, questionada sobre a situação, a treinadora  Jill Ellis disse que o tema era irrelevante no momento.

A sueca Hedvig Lindahl não quis comentar a questão, dizendo apenas que uma medalha já deixaria as compatriotas felizes.

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