Iris Tang Sing vence falta de apoio e é esperança do Brasil no taekwondo

Edgard Matsuki - Enviado especial do Portal EBC

Normalmente, os pais são os primeiros apoiadores de atletas. Para Iris Tang Sing, no entanto, o começo da carreira foi um pouco diferente. Além da dificuldade da falta de patrocínio para atletas do taekwondo, ela teve que conviver com a desaprovação da mãe quando entrou no esporte, aos 13 anos.

Nascida em Itaboraí (RJ), Iris Tang Sing carrega o sobrenome chinês do bisavô, um sotaque fluminense e um passado com problemas em casa. Como o já falecido pai tinha problemas neurológicos, ela convivia mais com a mãe, mas teve que sair de casa após entrar para o esporte.

"Vejo pais e mães torcerem, mas no meu caso foi diferente. Eu não tinha o apoio em casa. O meu pai até me apoiava, chegou a me colocar o apelido de Olímpia, mas tinha problemas e não ficava muito comigo. Ficava mais internado. Minha mãe não me apoiava. Dizia que o esporte não dava futuro. Até hoje ela não liga muito", lamenta a atleta.

Iris carrega títulos invejáveis, entre eles os bronzes dos Jogos Pan-Americanos de Toronto (2015) e do Mundial de Taekwondo (2015). Atleta das Forças Armadas, ela ganhou o Mundial Militar de 2015.

Apesar dos trunfos do presente, a atleta não esquece as dificuldades do tempo em que ela, para conseguir treinar, teve que sair de casa e morar na casa do treinador e descobridor Diego Guimarães, até hoje seu técnico. Iris tem um projeto social em Itaboraí, onde ensina taekwondo para cerca de 80 crianças. Lá, ela faz mais do que ensinar a lutar. Ela dá, para quem está começando, o apoio que gostaria de ter tido.

"Amo estar junto com essas crianças e treino com eles quando é possível. Mando fotos para eles e mostro para eles que a gente pode conseguir. Projetos sociais dão, sim, resultado. Olha por exemplo, a Rafaela Silva que veio de uma comunidade e ganhou um ouro", citou a atleta.

"Tem que ter trabalho, não importa onde você treina ou com quem você treina. É sua dedicação, sua força de vontade que vai te levar até um sonho", acrescentou.

No início do ano, um programa de televisão ajudou na reforma da sede do projeto. Para que o ano fique completo, ela só quer mais uma coisa. "Estou atrás de uma medalha. Quero qualquer uma. A gente vem se preparando bastante e a expectativa é ótima", disse a atleta. "Ter esses bons resultados também serve para mostrar para a minha mãe que tudo o que eu fiz não foi perdido."

A primeira adversária de Iris na Rio 2016 será a neozelandesa Andrea Kilday, amanhã (17), às 9h. "Primeiro vou lutar com Nova Zelândia, depois México. Eu pego a China, que é bicampeã olímpica na terceira luta, na semifinal. Ela é muito boa. Mas tô fazendo luta por luta e vou pensar nas duas primeiras", disse.

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