Veja os atletas mais amados e os mais vaiados pelo público na Olimpíada do Rio

Patrícia Serrão - Repórter do Portal EBC

Nas primeiras olimpíadas na América do Sul, a torcida brasileira deixou clara sua sinceridade em relação aos atletas. Quando gostava de alguém, a torcida vibrava e praticamente adotava o competidor. Já quando não gostava, não perdia a oportunidade de mostrar descontentamento.

A seguir, conheça alguns dos atletas que mexeram com o coração dos brasileiros ou que os torcedores gostariam de ver bem longe.

Atletas que amamos:

1) Usain Bolt, o "raio" jamaicano

Muito mais do que um atleta, Bolt é um showman. Simpatia em pessoa, o jamaicano já tinha vindo ao Rio de Janeiro em 2014 e 2015, onde participou do desafio mano a mano contra corredores brasileiros. Se naquela época ele já conquistou o coração dos cariocas, nesta Olimpíada ele conquistou o Brasil.

A prova maior que o brasileiro o adotou foi quando Bolt abriu um largo sorriso na final dos 100 metros rasos com direito a memes nas redes sociais. 

Bolt, o atleta mais rápido do mundo com direito a sorriso e olhadinha para o lado. Kai Pfaffenbach/Reuters/ Direitos Reservados

2) Simone Biles, humildade em pessoa

A americana Simone Biles da ginástica encantou o mundo. Não é a toa que os brasileiros também caíram no charme da atleta, principalmente quando Biles reconheceu que a sua medalha de bronze deveria ter ido para a brasileira Flavia Saraiva, nosso xodó tupiniquim. 

Biles superou os limites do corpo e da torcida brasileira. Volker Minkus / FIG

3 ) Novak ou simplesmente Djoko

Bastou um duelo contra a Argentina no tênis para que o servio Novak Djokovic ganhasse a torcida brasileira. Gritos de "Eiro, eiro, Eiro, Djoko é brasileiro" e "Olha que maneiro, Djokovic é brasileiro", pipocaram na torcida.

E o amor foi mútuo. O sérvio adotou munhequeiras verde e amarelas e a raqueteira com a frase "Boa Sorte".  Após a disputa, Djoko reconheceu que poucas vezes sentiu tanto apoio da torcida e chegou a chorar após a derrota por, segundo ele, por ter decepcionado os brasileiros.

Mesmo sentindo-se em casa com a torcida brasileira, Novak Djokovic não conseguiu vencer a partida e chorou Carine06 / flickr / Creative Commons

4)  Pita Nikolas Aufatofua ou seria "o atleta besuntado do Tonga"? 

Na cerimônia de abertura, o lutador de Taekwondo Pita Nikolas Aufatofua chamou atenção da plateia brasileira pelo excesso de óleo no corpo. Pita Nikolas disse, em entrevista a BBC, que passou óleo de coco no corpo porque faz parte da vestimenta tradicional do seu país e que eram assim que seus ancestrais iam a guerra há 200 anos. Seja como for, o atleta conseguiu fazer o brasileiro descobrir um pouco mais sobre o Tonga, essa pequena ilha localizada ao norte da Oceania. 

"Besuntado", Pita Nikolas disse que passou óleo em homenagem aos ritos acentrais do Tonga. Reuters/Stoyan Nenov/Direitos Reservado.

5)  Teresa Almeida ou simplesmente "Bá"

"Ah, a Bá...". A goleira de handebol de Angola foi a principal razão para que os brasileiros passassem a torcer pela seleção angolana na modalidade. Os gritos de "ão, ão, ão, Bá é paredão!" e "A Bá é melhor que o Neymar" foram constantes nas partidas que disputou.

Excelente goleira, ela tem 1,70 m, pesa 98 kg, é bastante segura do seu corpo e casa no final do ano. Também já deixou bem claro que não se preocupa em emagrecer para entrar no vestido.

A atleta contou que sua ligação com o Brasil é antiga e que ganhou o apelido de "Bá" por causa da novela brasileira Sinhá moça. Nesse folhetim televisivo havia uma babá negra que se chamava Bá. Como ela era a única menina da família, colocaram este apelido. 

E a torcida ainda grita: "A Bá é melhor que o Neymar". Marko Djurica/Reuters / Direitos reservados

Atletas que não não agradaram tanto assim:

1) Renaud Lavillenie ou "o francês da prova da vara"

Em uma disputa apertada com os norte-americanos da natação, Renaud Lavillenie conquistou o primeiro lugar no ranking de atleta mais odiado pelos brasileiros nas olimpíadas. Ao perder a disputa para o brasileiro Thiago Braz, ele reclamou da torcida local e comparou os brasileiros com os nazistas nos Jogos de Berlim.  "Em 1936, a multidão estava contra Jesse Owens. Não vimos isso desde então. Temos que lidar com isso", disse Lavillenie, medalhista de ouro em Londres 2012. 

O francês chegou a se desculpar pela comparação, mas manteve as críticas às vaias. As desculpas não foram suficientes. Ao subir ao pódio para receber a medalha de prata, Lavillenie foi novamente vaiado e chorou.

Creative Commons - CC BY 3.0 - Renaud Lavillenie - REUTERS/Dominic Ebenbichler/ Direitos Reservados

2) Lochte, Bentz, Conger e Feigen  ou "os nadadores vandalistas americanos"

Eles saíram da Vila Olimpíca e foram beber, passaram da conta e vandalizaram um posto de gasolina. Até aí o brasileiro seria capaz de perdoar. O problema foi quando os nadadores inventaram a mentira de que foram assaltados por policiais brasileiros.  Após serem desmascarados por imagens de câmeras de segurança, eles se desculparam. O Comitê Olímpico Americano também soltou uma nota pedindo desculpas pelas atitudes dos nadadores. 

Copyright - Jack Conger e Gunnar Bentz depõe na Polícia Federal - REUTERS/Ueslei Marcelino /

 

3)  David Segal, o jornalista do New York Times que criticou o biscoito Globo

Segal não criticou apenas um petisco, mas um dos itens que o cidadão do Rio de Janeiro considera como símbolo máximo de carioquice: o Biscoito Globo. As redes sociais se revoltaram e criaram a #somostodosbiscoitoglobo. Teve quem defendesse que o problema foi de contexto: o pacotinho foi feito para ser degustado junto com mate com limão, na beira da Praia do Arpoador, antes de aplaudir o pôr do sol.

Creative Commons - CC BY 3.0 - Biscoito Globo - Divulgação

 

4) Hope Solo e a Zika 

A goleira da seleção norte-americana conseguiu o feito de ser odiada antes mesmo dos jogos começarem. É que enquanto arrumava a mala para o Rio de Janeiro, postou uma foto com máscara contra mosquitos e um repelente, seguidas da mensagem: "Não vou dividir isso aqui! Arrume o seu! #ÀProvaDeZika #EstradaParaORio." O resultado veio em todas as partidas da seleção norte-americana, onde se ouvia os gritos de "olê olê olê olá, zika zika"  e de "ôôô zika!" , além de vaias constantes dirigidas à goleira. 

 

Creative Commons - CC BY 3.0 - Hope Solo - Instagram Oficial

5 ) Islam El Shehaby, o egípcio que se recusou a apertar a mão de israelense após derrota

Após ser derrotado por Or Sasson, atleta de Israel, o egípcio recusou-se a apertar a mão do adversário. Ao final do confronto, quando Sassom aproximou-se para cumprimentá-lo, El Shehaby recuou. A atitude foi imediatamente vaiada pelo público presente na Arena Carioca 2 e criticada pelo Comitê Olímpico Internacional.

 

Copyright - Or Sasson tenta cumprimentar Islam El Shehaby, que se nega a apertar a mão do judoca - Toru Hanai / Reuters / Direitos reservados

 

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