Três ex-ministros elogiam Dilma; quatro abrem mão de questioná-la

Mariana Jungmann e Iolando Lourenço - Repórteres da Agência Brasil

Três dos sete senadores que foram ministros dos governos de Dilma Rousseff usaram o tempo destinado a fazer perguntas à presidenta afastada para demonstrar apoio e elogiá-la. Os demais, que devem votar contra Dilma, optaram por não interrogar a presidenta na sessão de julgamento do processo de impeachment da presidenta, que, nesta segunda-feira, entrou em seu quarto dia no Senado.

A primeira senadora inscrita para falar foi Kátia Abreu (PMDB-TO), que ocupou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no segundo mandato de Dilma. Falando da tribuna, Kátia fez muitos elogios à presidenta, destacando que Dilma foi a primeira a nomear uma mulher para a pasta. "Fui suamMinistra da Agricultura, com muito orgulho, a primeira mulher ministra da Agricultura neste país, por um ano e quatro meses", afirmou Kátia.

Segundo a senadora, a sensibilidade de Dilma com os problemas do setor e seu compromisso com a solução dos problemas apresentados foram definitivos para que pudesse afirmar, com certeza absoluta, que ela foi a presidente que mais atenção deu ao agronegócio brasileiro, nas últimas três décadas. "Uma atenção que se traduziu em ações, não só em palavras, em resultados."

Ex-adversária política de Dilma, Kátia disse que não votou nela em 2010, mas que mudou de posição em 2014. Ela ressaltou que, ao convidá-la para assumir o ministério, a presidenta lhe concedeu liberdade para fazer as ações necessárias para modernizar a pasta. "Tive autonomia total para escolher a minha equipe técnica, e os melhores do país foram convocados."

Em sua fala, o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Armando Monteiro, senador pelo PTB de Pernambuco, destacou que o interrogatório de Dilma era uma boa hora para "dar um testemunho da sua seriedade, da sua correção e do seu espírito público".

"Creio que temos todos a consciência da responsabilidade histórica que assumimos e do quanto - se vier a ser consumado o seu afastamento -, do que representará essa grave lesão nas instituições democráticas do país. Eu diria que essa será uma cicatriz que vai deslustrar, que vai macular um longo processo de construção e de sedimentação das nossas instituições democráticas", afirmou Monteiro.

Já a ex-ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann voltou a questionar a capacidade do Senado para julgar a presidenta. "O que nos dá o direito de julgá-la, de apontar-lhe os dedos, se a crise política e econômica que nós estamos vivendo teve muita da colaboração deste Parlamento, do Congresso, dos senhores senadores que estão sentados nessas bancadas?", questionou a senadora do PT do Paraná.

Gleisi aproveitou a oportunidade para provocar ex-ministros de governos petistas que já declararam o votar pró-impeachment. Ela enumerou investimentos em diversas regiões e citou nominalmente alguns dos ex-ministros. "Nós também tivemos obras importantes. No Rio Grande do Norte do ex-ministro Garibaldi Alves, o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante e a duplicação da BR-101. No Amazonas do ex-ministro Eduardo Braga, os terminais hidroviários. Em Pernambuco do ex-ministro Fernando Bezerra, a integração do Rio São Francisco, a construção da Transnordestina. E, em São Paulo da ex-ministra Marta Suplicy, a construção do Rodoanel. Inúmeros investimentos", afirmou a senadora.

Além de Kátia Abreu, Armando Monteiro e Gleisi Hoffmann, também foram ministros os senadores Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), Marta Suplicy (PMDB-SP), Eduardo Braga (PMDB-AM) e Edison Lobão (PMDB-MA). Fora os três que elogiaram Dilma, os demais não estão inscritos para interrogá-la e deverão votar por seu afastamento definitivo por orientação partidária ou por ter deixado o governo com divergências pessoais com a presidenta.

Intervalo

Às 18h, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, que conduz o julgamento no Senado, determinou intervalo de uma hora na sessão.

Até então, 27 senadores fizeram perguntas à presidenta afastada. O número de inscritos é de 51. A previsão é que o interrogatório dure até, pelo menos, as 23h.

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