ONG denuncia PM de São Paulo à ONU por violência em protestos

Elaine Patricia Cruz - Repórter da Agência Brasil

A organização Conectas Direitos Humanos denunciou a Polícia Militar de São Paulo ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). O pronunciamento com a denúncia foi feito ontem (19), em Genebra.

No pronunciamento, os representantes da ONG criticaram a atuação violenta da Polícia Militar nas manifestações que estão ocorrendo na cidade de São Paulo contra o presidente Michel Temer. No fim da leitura, a ONG pediu que o conselho se pronuncie "contra a restrição ilegítima do direito de protesto no Brasil".

"No estado de São Paulo, onde os protestos de rua têm sido os mais numerosos, o governador Geraldo Alckmin reprimiu com truculência os manifestantes. Vários manifestantes foram feridos. Como resultado da repressão do dia 31 de agosto, uma estudante universitária perdeu a visão do olho esquerdo após ser atingida por fragmentos de bomba de gás", disse a ONG sobre a jovem Deborah Fabri, de 19 anos.

Direito de resposta

A organização também citou a prisão, que considerou ilegal, de 26 pessoas poucas horas antes do protesto ocorrido no dia 4 de setembro, em que houve o envolvimento de um agente infiltrado do Exército. "Essa prática remete às épocas mais obscuras da história de nossa região. A sociedade e a comunidade internacional devem reagir condenando o fato com veemência", afirmou a entidade.

Segundo a Conectas, o governo brasileiro solicitou direito de resposta e afirmou que os incidentes estão sendo investigados pelas autoridades competentes, que o país defende o Estado Democrático de Direito e reconhece o direito de reunião pacífica e a liberdade de expressão.

A Agência Brasil procurou a Secretaria de Segurança Pública e o governo de São Paulo para comentar a denúncia, mas até o momento não obteve retorno. Já o Ministério das Relações Exteriores disse que não se pronunciará sobre o assunto.

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