Eleitores renovam um terço da Câmara no Rio; mulheres continuam de fora

Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil*

Urna biométricaTânia Rêgo/Agência Brasil

Os eleitores da cidade do Rio de Janeiro renovaram um terço da Câmara Municipal. Dos 51 vereadores, 18 ficaram de fora da nova legislatura. O PMDB, com a maior bancada, perdeu oito cadeiras. O PSOL, do candidato Marcelo Freixo, que segue na disputa à prefeitura, enfrentando Marcelo Crivela (PRB), no segundo turno, chegou à segunda maior bancada, passando de quatro para 6 parlamentares. O DEM e o PT perderam uma vaga cada um.

O vereador mais votado foi Carlos Bolsonaro (PSC), de 34 anos, que vai para o quinto mandato consecutivo, com 106,6 mil votos. Logo atrás, eleito pela primeira vez, está o professor Tarcísio Motta (PSOL), com 90,4 mil. Ex-prefeito da cidade, e pela segunda vez na Câmara, César Maia (DEM) ficou em terceiro, com 71 mil votos. Ao todo, os candidatos a vereador no Rio receberam 2.921.506 votos, embora 502.116 pessoas tenham anulado o voto.

Com a renovação de um terço da Câmara, o Partido Novo, em sua primeira eleição, emplacou Leandro Lyra, com 29 mil votos, entre os dez mais votados. A Rede perdeu suas duas cadeiras, enquanto PRB triplicou seus representantes, subindo de um para três vereadores.

Apesar da cota partidária, que obriga os partidos a lançarem aos menos 30% de mulheres candidatas, o perfil de gênero do Palácio Pedro Ernesto mudou pouco. Entre os eleitos, estão apenas sete mulheres, uma a mais que na legislatura passada, o que não chega a 15% dos vereadores. As mais votadas são Rosa Fernandes (PMDB), de uma família de políticos, já no sexto mandato, autodeclarada** branca, com 57,8 mil votos, e a socióloga, preta, oriunda da Favela da Maré, Marielle Franco (PSOL), com 46,5 mil. Ambas são da zona norte.

Em termos de equidade, a capital não está aquém dos demais municípios fluminenses. As casas legislativas das cinco maiores cidades do estado somam 145 vereadores e, na nova legislatura, apenas 15 das eleitas são mulheres. A cota partidária, na avaliação de especialistas, não garante o comprometimento dos partidos com a eleição delas.

Pesquisa feita pelo Instituto Patrícia Galvão, organização social sem fins lucrativos voltada à comunicação e aos direitos das mulheres, revela que muitas são convidadas a se candidatar em cima da hora e têm pouco apoio, o que demonstra pouca disposição dos partidos em elegê-las.

Para garantir a eleição de mais mulheres e de candidatos não brancos, o professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Luiz Augusto Campo, que lançou pesquisa semana passada sobre o tema, defende cotas mínimas proporcionais às vagas, além da distribuição, até maior, de recursos e tempo de televisão entre mulheres e candidatos que não se declarem brancos.

As autodeclarações constam das informações do TSE.

*Colaborou Tâmara Freire, repórter do Radiojornalismo

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