Rio pode ter mais ausências e votos nulos no 2º turno, diz cientista político

Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil

O grande número de ausentes, de votos nulos e votos em branco verificado no primeiro turno da eleição do Rio poderá ser ainda maior no segundo turno. A análise é do cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio, que destaca a ausência de candidatos a vereador e o menor número de candidatos a prefeito como fatores que podem tornar o pleito menos atraente.

"Por um lado, não tem mais eleição para vereador. No caso do Rio, eram 1.542 candidatos. Eles puxavam votos e mobilizavam. Há também uma redução no número de candidatos a prefeito, que são dois. Os eleitores dos que não passaram para o segundo turno podem ter pouca motivação para votar nos remanescentes. Geralmente, abstenção, branco e nulo no segundo turno é maior", diz Ismael.

No primeiro turno, na votação para prefeito, a abstenção foi 1.189.187, correspondendo a 24,28%, ou quase um quarto do total. Os votos em branco foram 204.110 (5,50%) e os nulos, 473.324 (12,76%). Somando os três índices, chega-se a 42,54%, o que significa dizer que, de cada dez eleitores cariocas, quatro não exerceram o direito ou não quiseram escolher um candidato.

"A abstenção, o branco e o nulo foram os mais altos dos últimos 20 anos. É um número que merece ser avaliado. Tem duas razões principais. Primeiro, há uma insatisfação muito grande com o sistema político, com esses escândalos e denúncias ao longo das operações, que têm levado a uma desconfiança muito grande em relação aos políticos e partidos. Há também que isso refletiu uma rejeição aos candidatos, em um desejo por lideranças, mas esses políticos não agradam muito", disse Ismael.

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