Presidente do BC diz que não há cronograma preestabelecido para cortar juros

Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil

Ilan Goldfajn disse que "o Banco Central não tem cronograma preestabelecido para a flexibilização da política monetária"         (Marcelo Camargo/Agência Brasil)Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, afirmou hoje (4) que o Comitê de Política Monetária (Copom) não tem um "cronograma preestabelecido" para a redução da taxa básica de juros, a Selic. "O Banco Central não tem cronograma preestabelecido para a flexibilização da política monetária. Qualquer decisão será tomada nas reuniões do Copom com base na evolução da combinação de fatores e nas expectativas e projeções de inflação", disse ele, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Goldfajn reiterou que o BC contribuirá para a retomada do crescimento econômico por meio do controle da inflação, já que, explicou, inflação baixa é fundamental para diminuir as incertezas e para que famílias e empresas retomem o consumo. O centro da meta de inflação está estabelecido em 4,5% ao ano.

"Quando combate a inflação alta, o Banco Central atua em prol da recuperação da atividade econômica. Permitir inflação mais alta não contribuirá para o crescimento sustentável. A evolução dos preços evidencia processo de desinflação em curso e as perspectivas são de continuidade desse processo nos próximos trimestres. No entanto, a velocidade da desinflação permanece incerta", afirmou Goldfajn. "As expectativas de inflação no mercado convergiram para 4,5% [ao ano] a partir de 2018. Para 2017, a mediana dessas expectativas [de inflação] se encontra em 5,1%".

Ajustes e reformas dependem do Congresso

Ele destacou que a aprovação pelo Congresso Nacional de ajustes nas contas públicas e das reformas fiscais é fundamental para resgatar a confiança dos investidores, para a redução dos juros básicos e para a retomada da economia.

O principal instrumento usado pelo BC para controlar a inflação é a taxa básica de juros, utilizada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, mas a medida alivia o controle sobre a inflação. Quando mantém a taxa, o Copom considera que ajustes anteriores foram suficientes para alcançar o objetivo de controlar a inflação.

Desde julho de 2015, os juros básicos estão em 14,25% ao ano, no maior nível desde outubro de 2006.

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