Prêmio reconhece atuação de jovens líderes de religiões de matriz africana

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

O Prêmio O e Mim , que no idioma iorubá significa machado sagrado, será entregue hoje (5)  a 12 jovens líderes de religiões de matriz africana do Rio de Janeiro. A iniciativa foi criada no final do ano passado pelo Coletivo O e Mim.

Os 12 agentes da cultura e religiosidade de matriz africana serão premiados nas categorias promoção da cultura, manutenção do patrimônio, proteção dos direitos, respeito entre as religiões, serviço de assistência e ações de sustentabilidade, mídia e comunicação, e combate ao racismo. Serão concedidas também menções honrosas a mais de 20 pessoas.

Segundo a superintendente de Igualdade Racial da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Mara Ribeiro, o objetivo da premiação é "fortalecer cada vez mais a cultura e a identidade das religiões de matriz africana", que também integra o coletivo.

Os paraninfos da cerimônica são lideranças religiosas renomadas, como Mãe Beata de Yemonjá, Mãe Mabeji e Pai Bira de Xango.  De acordo com a superintendente, a ideia é que os novos líderes recebam das lideranças mais velhas o "bastão de tocar a religião com a responsabilidade de manutenção dessa identidade e da cultura das matrizes africanas"

Para 2017, um dos projetos é a abertura de um edital para estender a premiação a entidades e lideranças afro-religiosas de outros estados, conforme Mara Ribeiro.

A solenidade será realizada no Salão Histórico do Tribunal do Júri, no Museu da Justiça do Rio de Janeiro, no centro da cidade. O Coletivo O e Mim tem entre seus organizadores Ilé A é Efón - Babalori a Elias d' Iansã, Ilé A é Oiyá Iyá Mí - Iyalori a Rita d' Oiyá, Ilé A é Oiyá Tolore Osun - Iyalori a Neném d' Iansã e Ilé A é Omin Odara - Babalori a Carlinhos d' O aguian.

Intolerância

O babalorixá João de Airá, do terreiro Ilé A é Onite Oba Nla Ibonan, de Santa Cruz da Serra, município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, é um dos 12 primeiros premiados. Para o babalorixá, o prêmio é o "reconhecimento da minha religiosidade, em uma religião de matriz africana, no momento tão importante que nós estamos atravessando, com todas as perseguições de intolerância religiosa. Esse Prêmio O e Mim representa a unificação de todo o povo de matriz africana, porque o machado duplo de Xangô significa a força, a união, a resistência. E o candomblé é uma religião de resistência".

João de Airá, que está há 38 anos no candomblé, disse ter sofrido preconceito ao longo da vida. De acordo com ele, os integrantes do candomblé agora resolveram deixar dos muros dos terreiros e mostrar a força, "o nosso a é. Nós estamos buscando é isso: a unificação de todo o povo de matriz africana". 

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