Fiocruz terá centro de fármaco na UFRJ para estimular produção de insumo no país

Akemi Nitahara - Repórter da Agência Brasil

Um centro de pesquisa em fármacos será instalado no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, zona norte do Rio de Janeiro. O acordo foi assinado hoje (6) com a Fiocruz para a implantação do Centro de Referência Nacional em Farmoquímica, do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz).

O acordo é o primeiro passo para que a Fiocruz possa contratar o projeto executivo do Centro. A previsão é que o projeto seja feito em 2017 para o prédio ser construído em 2018 e os cientistas começarem a trabalhar no local a partir de 2019.

O objetivo é desenvolver Insumos Farmacêuticos Ativos (IFA), ou seja, princípios ativos para medicamentos, com prioridade para tratamento de males antigos, mas que ainda hoje atingem a população brasileira - como malária, esquistossomose e leishmaniose - chamadas de doenças negligenciadas.

O diretor de Farmanguinhos, Hayne Felipe, explica que o trabalho de pesquisa em laboratório já é feito pela instituição, mas a novidade será desenvolver em escala-piloto para, posteriormente, havendo interesse da indústria farmoquímica, repassar a tecnologia para a produção em escala industrial.

"A importância que a gente vê nesse projeto é dotar o país de maior grau de soberania na obtenção desses produtos. Haja visto o caso que vivemos hoje com a falta de antibióticos aqui no nosso país, principalmente a benzilpenicilina. Como nós não temos capacidade de síntese e dependemos das importações, na medida em que os fabricantes optem por não produzir mais, descontinuar ou aumentar muito o preço, isso cria barreiras muito sérias para o nosso país".

De acordo com ele, atualmente o Brasil é "extremamente dependente" da importação de insumos, principalmente chineses e indianos. Após a construção do prédio, os equipamentos que estão em Manguinhos - em um local antigo e apertado, segundo Felipe - serão transferidos para o Centro na UFRJ. Além de expandir a capacidade de pesquisa, o local também será referência na formação de recursos humanos para o setor de fármacos.

O diretor do Parque Tecnológico da UFRJ, José Carlos Pinto, explica que o Centro será construído e coordenado por Farmanguinhos, mas também vai contar com pesquisadores da universidade. Para ele, o projeto vem suprir uma lacuna fundamental para a autonomia brasileira na fabricação de medicamentos.

"O Brasil importa quase a totalidade dos insumos farmacêuticos que a gente utiliza - cerca de 95%. Ou seja, o Brasil é fortemente dependente da importação de insumos médicos. Para um país do tamanho do Brasil, como cidadão brasileiro, eu diria que isso é estrategicamente absurdo", disse.

O Centro de Referência vai ocupar um espaço de 7 mil metros quadrados, ao lado de outros 54 núcleos de pesquisa em diversas áreas, como petróleo e gás, sustentabilidade e tecnologia. O Parque Tecnológico da UFRJ ocupa uma área de 350 mil metros quadrados e abriga centros de pesquisa de empresas como Petrobras, Siemens, Ambev e GE.

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