"O único prêmio a que aspiramos é a paz para Colômbia", diz líder das Farc

Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil

O líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Timoleón Jiménez, cumprimentou o presidente colombiano Juan Manuel Santos que foi anunciado hoje (7) como o vencedor do Prêmio Nobel da Paz. Jiménez também lembrou da importância de Cuba, Noruega, Venezuela e Chile para o processo negociador do acordo de paz.

"O único prêmio ao qual aspiramos é a paz com justiça social para a Colômbia sem paramilitarismo, sem retaliações nem mentiras", escreveu Timoleón Jiménez, em sua conta no Twitter.

O prêmio foi concedido a Santos pelo Comitê Nobel norueguês por seus esforços para pôr fim à guerra civil no país, que durou mais de 50 anos e matou pelo menos 220 mil colombianos.

ONU

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse que o Nobel da Paz foi concedido a Santos em um momento crítico e que esse reconhecimento oferece esperança e encorajamento ao povo colombiano.

"Esta é uma mensagem oportuna para todos que se dedicaram arduamente pela paz - para o governo da Colômbia, as Farc, para todas as forças sociais e políticas que expressaram seu desejo pela paz, para a sociedade civil e, em particular, para as vítimas, que estão levando adiante o caminho em direção a uma reconciliação nacional. Este prêmio lhes diz que devem continuar a trabalhar até levaram o processo de paz a uma conclusão bem-sucedida", afirmou Ban Ki-moon.

Para o secretário-geral da ONU, o resultado do plebiscito realizado no dia 2 de outubro, em que a população da Colômbia rejeitou o acordo de paz assinado entre o governo e as Farc, não deve dividir os milhões de colombianos que lutam para construir um país pacífico. "Eu cumprimento as declarações de todas as partes envolvidas de que estão comprometidas com a paz e com o cessar-fogo e que os líderes conduzam o diálogo com pragmatismo focados no desejo do povo colombiano de paz", disse Ban.

Acordo do paz

Pelo acordo de paz assinado no final de agosto, as Farc tinham se comprometido a abandonar as armas, além de sinalizar que se tornariam um partido político.

No entanto, a anistia política e a forma de punição a ex-guerrilheiros por crimes antigos, determinadas nas negociações, descontentaram parte da população, que rejeitou o acordo em um referendo realizado no último domingo (2). O resultado do referendo foi inesperado, já que Santos acreditava que a maioria da população apoiaria o processo.

Ao anunciar o prêmio, o Comitê do Nobel destacou os esforços do presidente Santos para chegar ao acordo e colocar fim a um conflito de mais de meio século no país.

"A guerra civil custou a vida de 220 mil colombianos e provocou quase 6 milhões de desabrigados. O Prêmio Nobel deve ser visto também como um tributo ao povo da Colômbia, a todas as partes que contribuíram para este processo de paz e aos representantes das vítimas", disse o Comitê do Prêmio Nobel.

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