Policiais são presos por receber propina do tráfico de drogas no Rio

Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil

Três policiais militares lotados no 20° Batalhão da Polícia Militar, em Mesquita, na Baixada Fluminense, e um policial civil foram presos hoje (7), na Operação Boi da Cara Preta, acusados de integrar um grupo que levava dinheiro do tráfico de drogas para deixar de combater o crime na região da Posse, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Ainda há um policial militar foragido.

A ação foi desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela 58ª Delegacia Policial, no bairro da Posse, em Nova Iguaçu. Todos estão com a prisão preventiva decretada pelo juízo da 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu. A Justiça também decretou a prisão preventiva de mais 19 pessoas ligadas ao tráfico de drogas nas comunidades Aymoré, Inferninho e Três Campos.

Para comprovar a participação dos acusados, a polícia utilizou interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. De acordo com o promotor de Justiça, Fabio Correia, do Gaeco, os acusados foram denunciados por "associação criminosa e corrupção passiva, com pena que pode chegar a 220 anos de prisão", informou.

A corregedora da Polícia Civil, delegada Adriana Mendes, disse que o policial civil vai ser submetido a uma sindicância administrativa e como ainda está em estágio probatório pode ser expulso da instituição. "Precisamos retirar da corporação aqueles que não merecem permanecer nos quadros da Polícia Civil", disse.

Propina

A denúncia do Ministério Público aponta que os traficantes faziam um pagamento mensal aos PMs, às sextas-feiras, sábados e domingos. Já o policial civil recebia a propina às terças-feiras. Ele era lotado na delegacia de Comendador Soares, na Baixada Fluminense.

A entrega da propina era feita aos policiais militares em postos de gasolina ou dentro dos próprios Destacamentos de Polícia Ostensiva (DPO), onde dividiam o dinheiro. Os valores - de acordo com os promotores - chegavam a R$ 70 mil. 

Crianças no tráfico

O Ministério Público, por meio da Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de Nova Iguaçu, encaminhou à Justiça uma representação socioeducativa contra dez crianças e adolescentes que faziam contato com os policiais para o pagamento da propina. A Justiça deferiu a apreensão dos jovens e a decretou a internação provisória.

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