Apontado como operador da fraude da merenda em São Paulo fica calado em CPI

Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil

Cerca de meia hora depois de iniciado o depoimento do lobista Marcel Ferreira Júlio na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de São Paulo que apura e investiga o fornecimento de merenda escolar em escolas estaduais e contratos firmados por empresas e cooperativas de agricultura familiar com o governo do estado e municípios, a sala onde a oitiva era realizada em sessão secreta foi aberta e os jornalistas tiveram a entrada liberada.

Segundo a presidência da CPI, Marcel Júlio usou o direito de ficar calado e não responder a perguntas. Por isso, a sessão passou a ser pública para que ele repetisse à audiência o que já havia dito secretamente aos deputados. "Vou me reservar o direito dado pelo Tribunal de Justiça de permanecer em silêncio. Não vou responder a nenhuma pergunta", disse Marcel, que é apontado como operador da fraude.

Membro da CPI, o deputado Alencar Santana informou que Marcel pediu a reunião secreta e, ao chegar, orientado pelo advogado, não respondeu às questões. "Mas, pelo pouco que ele falou, conseguimos extrair coisas importantes. Primeiro, que os gênios do esquema eram o Jéter e o Merivaldo, e que o Jéter o ameaçava, dizendo que, se a propina não fosse paga, o contrato poderia ser prejudicado". Os dois citados pelo lobista são Jéter Rodrigues e Merivaldo dos Santos, assessores do presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez (PSDB), que nega qualquer envolvimento com a fraude.

De acordo com Alencar Santana, antes de ser interrompido por parlamentares governistas e orientado pelo advogado a não responder a mais nenhuma questão, Marcel confirmou o que disse em delação premiada em abril deste ano, quando citou os assessores de Capez. "Ele disse que é verdadeiro, que o segundo depoimento confirma tudo o que foi dito no primeiro e que ali há provas e documentos. O advogado também disse que tudo o que está ali é verdade", afirmou Santana.

O deputado Barros Munhoz (PSDB) ressaltou que as perguntas não foram feitas por causa de decisão da Justiça que o autorizou a ficar calado. "Ele não quis falar, e não tem o quê fazer. Todos concordamos que ele [Marcel] deveria assumir a responsabilidade por isso e irmos embora. Ele deixou escapar alguma coisa, mas o advogado o proibiu de falar." Segundo Munhoz, algumas pessoas já ouvidas durante a CPI deverão ser chamados novamente para averiguação do que foi declarado na delação de Marcel.

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