Projeto da Defensoria Pública do Rio emprega presos do regime semiaberto

Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil

Seis presos do regime semiaberto começaram uma nova vida ontem (18) com empregos na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ). A ação faz parte do projeto Novos Rumos, para recolocar apenados e egressos do sistema prisional em uma atividade profissional. O projeto é um convênio entre a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado e a Fundação Santa Cabrini, responsável por administrar o trabalho dos presos.

No total a Defensoria Pública reservou 13 vagas a serem ocupadas. Na primeira fase, cinco homens vão trabalhar no Departamento de Engenharia da DPRJ como auxiliares de serviços gerais, e uma mulher será copeira.

Segundo o coordenador de Defesa Criminal, Emanuel Queiroz, atualmente o Rio de Janeiro tem 50,7 mil presos, mas de acordo com dados do Tribunal de Contas do Estado é muito reduzido o número dos que estão no regime semiaberto e trabalham. "Essa é a maior dificuldade no estado do Rio de Janeiro. Nos números do Tribunal de Contas, no relatório de 2014, só 2% da população prisional conseguiu emprego".

Dificuldades

Para o defensor, a questão não se limita ao preconceito. "Se avalia que 5% da população prisional do estado do Rio de Janeiro não tem registro civil de nascimento. A maioria da população prisional do estado jamais foi inscrita no Tribunal Regional Eleitoral, ou seja, não tem título de eleitor. Se não tem título de eleitor, por conseguinte, não tem CPF, se não tem CPF não tem carteira de trabalho, então, como é que vai conseguir emprego formal? Tem muita dificuldade, não só do preconceito.Tem dificuldade básica, documental", disse.

O defensor disse ainda que não haverá mudança na realidade de violência e do sistema se os órgãos públicos e a sociedade civil não interferirem nesta realidade. "Não tem que promover a reinserção, é inserção. É muito mais grave e a gente precisa que as pessoas comecem a perceber esta situação, porque, senão, não vai debelar índices de reincidência, não vai interferir efetivamente na promoção dessas pessoas", disse.

Progressão

José Carlos Laureano cumpre regime aberto na Casa do Albergado Crispim Ventino, em Benfica, na zona norte, e é um dos integrantes do projeto. Esta etapa é uma progressão do regime de cumprimento da pena de seis anos que recebeu pelo Artigo 157 do Código Penal (roubo ou extorsão com uso de forte violência). José Carlos cumpriu dois anos da condenação e vai começar a trabalhar. "Minha espera é que melhore mais e mais", diz.

José Carlos saiu do regime fechado para o semiaberto e agora conquistou o regime aberto. "Do regime aberto para cá as coisas só tem melhorado para mim. Já conquistei um emprego. Procurei pela Cedae [Companhia Estadual de Águas e Esgotos], sendo que não consegui me encaixar, não sei porque, mas Deus me abençoou e está tendo este projeto com a Defensoria Pública e estou gostando", disse. "Nunca é tarde para recomeçar".

Segundo José Carlos é muito difícil não ocorrer discriminação com alguém que já passou pelo sistema prisional. "Acham que o preso vai fazer com eles o que fez no passado, e não. O negócio é dar oportunidade para ver realmente se eu vou querer voltar a fazer o que fazia e dar oportunidade", disse, revelando ainda que a mulher dele está grávida de gêmeas. "Primeiras filhas, nascem em dezembro. Então, não quero desperdiçar esta oportunidade".

Marco Antônio Nunes está no regime semiaberto com condenação de oito anos por venda de drogas e cumpriu quatro anos e cinco meses. "Vai me ajudar muito e a minha família. Quero fazer o meu serviço direito. Antes de ser preso eu já trabalhava em serviços gerais. Fui preso em 17 de maio de 2012. Não era um mau elemento na rua. Era trabalhador, era usuário de droga. Hoje não uso mais, graças a Deus, e só quero ajudar a minha família", disse. Marco Antônio tem um filho de 8 anos e uma milha filha de16 anos. "Pretendo agarrar com as duas mãos a oportunidade".

 

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