Artistas e empresários movimentam feira internacional em Bogotá

Sabrina Craide* - Enviada Especial da Agência Brasil

Empresário Bernardo Brandão, do Paraná, apresentou o jogo Zombie Zoid, voltado para crianças de oito a 14 anos, na busca de parcerias para o marketing e a distribuição do gameSabrina Craide/Agência Brasil

Depois de dois dias de rodadas de negócios, muitas conversas e trocas de cartões de visitas, os artistas e produtores culturais que estão em Bogotá, na Colômbia, para participar do Mercado de Indústrias Culturais do Sul (Micsul) já encaminharam futuras parcerias com empresários de outros países da América do Sul. Os 60 empresários brasileiros que participam foram selecionados pelo Ministério da Cultura e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e fizeram um treinamento antes da viagem a Bogotá.

O empresário Bernardo Brandão, da empresa Adhoc Games, de Francisco Beltrão, no Paraná, veio a Bogotá apresentar o jogo Zombie Zoid, voltado para crianças de oito a 14 anos, na busca de parcerias para o marketing e a distribuição do game. Ele já fez cerca de 15 contatos com empresários do setor de diversos países e já identificou uma empresa de Bogotá que poderá fazer a distribuição do jogo em vários países.

Também apresentou o jogo para uma empresa de animação da Polônia. "No começo, eu achei que ia ser muito fraco o evento, mas hoje já estou bem surpreso em relação a isso. Já fiz muitos contatos e foi uma evolução bem legal de possibilidades", disse.

Participar de festivais de dança e teatro em diferentes países é o objetivo da Porto Alegre Cia. de Dança, que mostrou no Micsul suas mais recentes montagens: Eu Estive Aqui e As Únicas Coisas Eternas São as Nuvens, baseado nos poemas de Mário Quintana.

Tânia Baumann, coordenadora da companhia, conversou com representantes de diversos festivais e acredita que haverá oportunidades de participar de alguns, como a Bienal Internacional de Danza de Cali, na Colômbia, Festival Internacional de Teatro y Danza, do Chile, e o Festival de Artes Escenicas de Guayaquil, no Equador. "Tem muita possibilidade aparecendo, e a gente sente que as pessoas vão buscar os recursos para fazer acontecer", diz Tânia.

A artista plástica Ariadne Decker participa pela primeira vez de uma rodada de negócios. Ela trouxe de Novo Hamburgo (RS) amostras de produtos que podem ser feitos com as estampas criadas por ela, como sapatos, bolsas, roupas e tecidos. Uma das temáticas usadas pela artista nos desenhos são os sapatos, já que a cidade onde ela mora é um grande polo calçadista.

Além de conversas com representantes de museus e galerias de arte do Canadá, Venezuela e Argentina, Ariadne apresentou seu trabalho para o renomado estilista Shinichi Kashihara, dono da loja Madame Killer, de Nova York (EUA).

As rodadas de negócios acontecem pela manhã e são pré-agendadas de acordo com o interesse dos participantes. À tarde, ocorre o Networking Intrasetorial, que é um espaço mais livre, onde os empresários podem conversar para tentar achar interesses em comum.

Literatura com inclusão

A designer Wanda Gomes, da WG Editora, trouxe para o Micsul uma coleção de livros infantis inclusivos. Além da escrita normal, eles são escritos em braile, com desenhos bem coloridos, texturas diferentes e uma ideia inovadora: as páginas têm aromas, como de chocolate, de grama e perfume de bebê, que ajudam a contar as histórias. "São livros inclusivos, ou seja, eles podem ter aproveitamento igualitário, independente da condição ou das necessidades específicas de cada pessoa", explica.

A designer Wanda Gomes levou para a Micsul coleção de livros infantis inclusivos. Páginas têm diferentes aromasSabrina Craide/Agência Brasil

Os livros já estão à venda no Brasil, mas a empresária quer traduzir para o espanhol e distribuir em outros países da América Latina. No Micsul, ela fez reuniões com editoras da Colômbia, Argentina e na Venezuela. "Todos ficaram muito interessados e disseram que nunca tinham visto nada parecido", comemora.

Cinema

A Academia de Filmes, de São Paulo, planeja lançar em 2018 um filme contando a história do narcotraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía, que operou um esquema de tráfico de drogas no Brasil e foi preso em uma operação da Polícia Federal, em 2007. Para isso, o empresário Paulo Schmidt veio ao Micsul para buscar parceiros nos países da América do Sul para produzir o filme, que deve começar a ser rodado na Colômbia e no Brasil, no segundo semestre do ano que vem.

A direção do filme será de Fernando Coimbra, que dirigiu dois episódios da série Narcos, que conta a história do narcotraficante Pablo Escobar.
Além das conversas e rodadas de negócios, o evento tem shows de músicas, desfile de modas e palestras curtas sobre cultura. Também estão sendo realizados fóruns acadêmicos para debater temas como a circulação de bens e serviços culturais na região e as novas tecnologias no cenário criativo.

Segundo os organizadores, cerca de 3,5 mil pessoas participam do Micsul, incluindo compradores da Europa, Ásia e Estados Unidos. O Micsul, que termina hoje (20), é considerado o principal encontro regional voltado a mercados culturais e criativos da América do Sul.

*A repórter viajou a convite da Apex-Brasil

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