Empresários querem expandir produtos culturais pela América do Sul

Sabrina Craide* - Enviada especial

Editores, dançarinos, atores, músicos, designers e produtores culturais de dez países da América do Sul estão trocando informações e fechando negócios há três dias em Bogotá, na Colômbia, durante a segunda edição do Mercado de Indústrias Culturais do Sul (Micsul). O evento acaba hoje (20), e muitos participantes já saem com negócios alinhavados para futuras parcerias, como a produtora audiovisual Catalina Donoso, do Chile, que trouxe para apresentar no Micsul um ciclo de três documentários chamado Paisajes de Norte a Sur.

Além da proposta de exportar os filmes, ela também quer fazer parcerias para produzir o documentário em outros países da região. No Micsul, ela teve conversas com produtores do Brasil, da Colômbia, Argentina e Bolívia. "Tivemos uma recepção muito boa desses países para a possibilidade armar este pequeno ciclo, que para nós é uma forma de maximizar a circulação. No chile, documentários têm pouca audiência, então para nós se faz mais necessário exportar nossos filmes para chegar a mais pessoas e gerar um pouco mais de comércio"

O executivo argentino Maximiliano Kreft, da editora Waldhuter, veio ao Micsul buscar novos livros da América Latina para distribuir no país. Segundo ele, o Micsul está sendo importante para buscar não apenas novidades, mas preços acessíveis. "A Argentina está em um momento economicamente delicado, então a venda de bens culturais como livros, cinema, música, está baixa. E uma das coisas principais são os preços, então estou buscando coisas com preços razoáveis"

O Festival Internacional Bienal de Circo do Uruguai quer achar parceiros para levar o evento a outros países. O ator Luis Musetti, representante do festival, disse que não conseguiu conversar com muitas pessoas especificamente do setor de circo, mas fez contatos com representantes de outros festivais, para parcerias futuras. Para ele, é muito importante trabalhar em redes com outros festivais, para facilitar a circulação em outros países. "É muito importante ter a oportunidade de trabalhar em rede com outros festivais porque o nosso mercado é pequeno, então é sempre bom ter uma perspectiva mais ampla de possibilidades regionais para a circulação das companhias"

A designer industrial colombiana Andrea Rodriguez está no Micsul para mostrar seus acessórios em couro, como bolsas e serviços de design personalizados. Ela fez contatos não apenas para a venda de seus produtos e serviços, mas também para desenvolver projetos educativos com universidades. "Acredito que temos uma projeção mais a longo prazo, sobretudo como na área de pesquisa e projetos educativos. Na área de comercialização, tivemos boas oportunidade, isso é bom porque são galerias de arte, pessoas que trabalham com arte e produtos exclusivos, o que para mim é muito melhor".

O Micsul é considerado o principal encontro regional voltado a mercados culturais e criativos da América do Sul. Cerca de 3,5 mil pessoas participaram do evento, que é promovido pelos ministérios da Cultura de dez países da América do Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Paraguai, Uruguai e Venezuela. No Brasil, a organização do evento foi feita em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

*A repórter viajou a convite da Apex-Brasil

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