Ampliar Saúde da Família e vagas em creches é prioridade de João Paulo no Recife

Sumaia Villela - Correspondente da Agência Brasil

 

João Paulo pretende rever o projeto Novo RecifeDivulgação/Assessoria de João Paulo

Com propostas como a universalização do Programa Saúde da Família e do acesso a creches, o ex-prefeito do Recife João Paulo (PT) tenta retornar ao cargo ao concorrer, neste segundo turno, com o atual gestor da capital pernambucana, Geraldo Júlio (PSB). No primeiro turno, o petista obteve 23,76% dos votos válidos, enquanto o seu adversário recebeu 49,34%.

Em entrevista à Agência Brasil, João Paulo diz que, se for eleito, pretende retomar obras de habitações populares para ajudar a diminuir o problema da falta de moradias, assim como rever o projeto Novo Recife (no Cais José Estelita).

Agência Brasil: O cenário nacional é de queda de repasse federal de recursos para municípios e estados e menos arrecadação de impostos. Como o senhor pretende comandar a máquina nessas condições?

João Paulo: Nós estamos vivendo uma dificuldade nacional de recursos, mas o Recife já tem uma boa arrecadação, por si só, além dos repasses obrigatórios constitucionais. E, com todas as dificuldades que estamos vivendo hoje, eu ainda assumi a prefeitura, em 2001 e 2002, em situação mais precária e com uma arrecadação muito menor do que nós temos hoje. Não deixamos de reconhecer a crise, mas temos um problema muito grave de gestão e prioridades.

Agência Brasil: No Recife, existe um déficit habitacional de cerca de 60 mil residências, segundo dados da organização não governamental (ONG) Habitat para a Humanidade, enquanto obras de habitações populares estão paradas. Como o senhor pretende lidar com essa situação?

João Paulo: Vamos primeiro retomar todas essas obras paradas e garantir as nossas três prioridades na área de habitação: famílias em alto risco nos morros do Recife; as palafitas, retomando o programa Recife sem Palafitas; e as áreas de conflito pela posse da terra. O que der nós vamos fazer com recursos próprios, e vamos buscar parcerias com os governos estadual e federal.

Agência Brasil: O Cais Estelita e o projeto Novo Recife abriram um debate sobre a verticalização da cidade e o adensamento populacional por meio de arranha-céus voltados a uma classe com alto poder aquisitivo. O senhor já falou que não concorda com o projeto. Qual a sua discordância, o que pretende fazer e qual sua posição sobre a verticalização do Recife?

João Paulo: Nos últimos tempos se deu - muito a partir do movimento Ocupe Estelita - um pensar novo sobre a cidade, sobre a boa utilização dos espaços públicos. E há um questionamento muito grande ao projeto do Estelita. Nós tínhamos para lá um projeto totalmente diferenciado, que era uma parceria público-privada dos governos municipal, estadual e federal, mas que foi abandonado. Nós queremos reabrir a discussão na cidade, saber o que tem de questionamento de irregularidades do projeto e, se não houver entendimento em função dessa nova convivência na cidade, meu compromisso é, assim que a prefeitura tiver condições - porque eu não sei em que condições está a prefeitura - é desapropriar a área e discutir com a cidade a utilização dela.

Agência Brasil: O Recife tem 56,13% de cobertura da população por equipes de Saúde da Família, de acordo com dados do Ministério da Saúde de agosto deste ano. Esse percentual é menor que o de Pernambuco (77,10%), do Nordeste (79,81%) e do Brasil (63,41%). Como avançar na saúde básica?

João Paulo: Era importante lembrar que quando eu assumi nós só tínhamos em torno de 4% de cobertura. Saímos de 32 para 250 equipes de Saúde da Família. Então a nossa proposta é universalizar a equipe do Saúde da Família - que trabalha muito mais com a prevenção para não agravar doenças futuras da nossa população - em função do acordo do nosso orçamento, do que nós podemos ampliar.

Agência Brasil: A atual gestão adotou a contratação de organizações sociais [OSs, entidades privadas sem fins lucrativos] para gerir equipamentos públicos e defende que o modelo vem dando certo. O senhor concorda com essa saída?

João Paulo: Eu não acredito que as OSs sejam a saída, acredito que a saída seja investir na valorização e na qualificação dos servidores públicos, na sua profissionalização, se pagar um salário justo, porque as OSs trazem um custo muito grande para o serviço público. Então a nossa posição é de qualificar, de preparar os servidores públicos, e que esses serviços sejam executados pelo próprio servidor.

Agência Brasil: O senhor gostaria de destacar alguma proposta relacionada à educação? O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco argumenta que o senhor não investiu o mínimo constitucional em educação quando foi prefeito.

João Paulo: Primeiro, todas as contas que levaram em suas aplicações, no orçamento da Educação, a merenda escolar, o fardamento, estagiários, foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Quando você coloca essas despesas você passa dos 25%, chega até a 27%. Agora tem um novo posicionamento do tribunal, mas todas as contas até 2008 foram aprovadas nessas condições. Mas o que vamos priorizar na educação é, primeiro, a ampliação do serviço de creches. Nós queremos garantir o que a lei já estabelece, que é o acesso às crianças de 4 a 5 anos na rede pública - inclusive o prefeito responde a uma ação porque não está garantindo isso. Nós queremos garantir o fardamento, como nós garantíamos, com mochila, material escolar, merenda de qualidade e a formação permanente dos nossos professores.

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