Calor de 41 graus não impede carioca de ir a cemitérios no dia de finados

Cristina Índio do Brasil - Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Cemitério do Caju tem intensa movimentação no dia dos finados (Tomaz Silva/Agência Brasil)Tomaz Silva/Agência Brasil

Calor com sensação térmica de 41 graus, garrafa de água a R$ 2, engarrafamento com filas quilométricas e milhares de pessoas. Este foi o cenário que os visitantes dos cemitérios do bairro do Caju, na zona portuária do Rio de Janeiro, enfrentaram para homenagear - neste dia de finados - parentes e amigos mortos.

No local, funcionam os cemitérios da Ordem Terceira do Carmo, onde também se localiza o Crematório do Carmo; o Israelita, o de São Francisco Xavier, chamado de Cemitério do Caju; e a Ordem Terceira de São Francisco da Penitência.

"É um dia de lembrar das pessoas que a gente gostava e continua gostando. Não é porque estão mortas que a gente deixa de gostar. Sou católica e a gente acredita que eles estão adormecidos para ressuscitar um dia", disse a jornalista Cristina Carvalho, que todos os anos vai ao cemitério da Ordem Terceira levar flores para homenagear os parentes enterrados no jazigo da família.

A funcionária celetista Maria Cristina Cardoso de Carvalho, embora tenha os pais e outros parentes enterrados no jazigo da família no Memorial do Carmo, estava no cemitério acompanhando o enterro da mãe de uma amiga de trabalho. Maria Cristina é kardecista e não tem hábito de ir ao cemitério em no dia de finados. "Para mim, eles estão bem e para mim aqui é só mesmo matéria. Não cultuo a matéria", disse.

Ao lado dela estava o companheiro de trabalho Eliseu Fernandes, que é evangélico. "Isso aqui é uma transição. Uma passagem. A gente respeita quem cultua", contou.

Arcebispo diz que brasileiro é religioso

Rio de Janeiro - O cardeal Orani Tempesta celebra missa dos finados no Cemitério Terceira Ordem do Carmo, no Caju (Tomaz Silva/Agência Brasil)Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Ainda no Cemitério da Ordem Terceira do Carmo, o Arcebispo Metropolitano do Rio, cardeal Orani Tempesta, celebrou uma missa ao lado de muitos fiéis. Ele destacou que o brasileiro é um povo religioso e que 90% da população acreditam na vida eterna. O cardeal afirmou que nos cemitérios estão sepultados os corpos e as cinzas cremadas, mas que os parentes e amigos estão vivos na eternidade.

"A nossa vida é muito bonita. Ela começa aqui neste mundo, mas não termina. Mesmo que a gente parta deste mundo, nós continuamos vivos. O importante é que, enquanto vivamos, possamos fazer o bem. Enquanto temos tempo, poder ajudar aos outros, de maneira de que, quanto mais acreditamos na eternidade, melhor vivamos aqui neste mundo", disse.

O arcebispo do Rio acrescentou que, em um momento de tanta violência e discórdia, a fé tem a capacidade de transformar o comportamento das pessoas. "Respeitar o outro, a fraternidade, por isso que a fé é muito importante. A fé no Deus de Jesus Cristo que nos ensina a perdoar, a reconciliar e a fazer o bem de tal forma que a pessoa - ao pensar no outro - pense como um seu irmão. Como posso ajudar o outro a ser feliz e não ao contrário", indicou, acrescentando que o mundo atualmente está ferido e perdeu a transcendência.

"O mundo acaba achando apenas que aquilo que vale é a opinião de cada um, a maioria que decide e não a vontade de Deus".

Flores têm procura menor

A homenagem aos mortos pode custar caro e já bateu no bolso dos consumidores. Em uma floricultura no cemitério, a dúzia das rosas ou palmas custava R$ 30. O vendedor Laurir Rodrigues disse que a procura caiu em relação ao ano passado. O jeito foi segurar o preço. "Ano passado foi melhor. Tivemos que deixar o preço na mesma coisa. Se aumentar não vende", revelou.

A ambulante Maria da Silva, que há dez anos monta uma banca na rua em frente aos cemitérios do Caju, reclamava do movimento fraco deste ano. Pela dúzia das rosas e das palmas cobrava R$ 15, um pouco acima do ano passado quando vendeu a R$ 12. Para não ficar com as flores encalhadas, o segredo é levar uma quantidade suficiente para vender tudo.

"Aumentou um pouquinho, mas não aumentou tanto. Eu não reduzo mais não porque não tem condições. Já está acabando. Graças a Deus deu pra vender tudo. Não tomei prejuízo", contou.

Rio de Janeiro - Orquestra Maré do Amanhã, formada por 30 jovens das comunidades do Complexo da Maré, se apresenta no dia dos finados no Cemitério da Penitência (Tomaz Silva/Agência Brasil)Tomaz Silva/Agência Brasil

Limpeza é reforçada

O esquema da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) de limpeza das áreas próximas aos cemitérios do Rio está reforçado com 312 garis e vai funcionar até amanhã (3). As equipes se revezam em dois turnos.

Na operação, a Comlurb usa 139 veículos, entre caminhões coletores, basculantes e pá mecânica. Por dia, estão incluídos no esquema 526 contêineres de 240 litros e 61 caixas coletoras para a utilização dos visitantes e dos trabalhadores, nas vias de acesso aos cemitérios.

A companhia informou que a coleta de lixo domiciliar e a limpeza pública de rotina funcionarão normalmente em toda a cidade, incluindo limpeza das ruas, poda de árvores, limpeza das praias e feiras livres.

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