Servidores do Colégio Pedro 2º, no Rio de Janeiro, decidem manter greve

Akemi Nitahara

Da Agência Brasil

  • Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Alunos do Colégio Pedro 2º, da unidade Humaitá, ocupam a escola desde a última segunda (31) em protesto contra as mudanças propostas pelo governo federal

    Alunos do Colégio Pedro 2º, da unidade Humaitá, ocupam a escola desde a última segunda (31) em protesto contra as mudanças propostas pelo governo federal

Em assembleia realizada na tarde desta quinta-feira (3), os servidores do Colégio Pedro 2º, escola federal no Rio de Janeiro que tem 14 campi e 13 mil alunos, decidiram manter a greve iniciada na última sexta-feira (28).

A paralisação ocorre em protesto contra a Medida Provisória do Ensino Médio, projeto de lei que institui a escola sem partido e a PEC do Teto de Gastos, que tramita no Senado como Proposta de Emenda à Constituição 55/2016 (antiga PEC 241 na Câmara).

"A gente entende que esses três elementos fortalecem a nossa mobilização e é por isso que paramos. É uma greve que, em grande medida, tem um conteúdo ético, está preocupada com os caminhos que a política brasileira está tomando nesse momento", disse Alexandre Samis, integrante do comando de greve e o professor de história.

A assembleia também decidiu que o sindicato da categoria (Sindscope) não deve entregar ao Ministério Público Federal a lista de sindicalizados especificando quem é professor e quem é técnico, conforme pedido feito pelo órgão no começo de outubro como parte da recomendação que determinou a retirada de cartazes com os dizeres "fora, Temer" das grades do colégio.

Três diretores do Sindscope tiveram que prestar esclarecimentos ao MPF por causa do episódio, o que a categoria considera desrespeito à autonomia sindical.

Enem

Apesar da greve, o professor Samis disse que as escolas ocupadas estão tendo atividades, entre elas aulões para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o que, segundo ele, não acontecia em outras greves e paralisações.

Participante da ocupação de São Cristóvão, o estudante Matheus Victal, 18 anos, lamenta que o Ministério da Educação tenha decidido adiar as provas nas escolas ocupadas sem antes buscar o diálogo com os estudantes.

"Continuamos dispostos a conversar, a gente tinha decidido em assembleia pela desocupação. A gente queria manter o Enem, o Enem é uma coisa nossa, é uma conquista nossa, a gente não queria que ele fosse adiado para um monte de gente. A gente fica muito triste. Sempre estivemos dispostos a dialogar."

Após reunião com os alunos e com o reitor do Colégio Pedro 2º na última terça-feira (1º), a Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro recomendou ao MEC a retomada do diálogo com os estudantes das ocupações. "Os defensores públicos federais constataram que os alunos estavam abertos à negociação com o Ministério da Educação. Os estudantes destacaram que não frustrariam a realização das provas do Enem, da mesma forma que não impediram a realização das eleições nas unidades que serviram de zona eleitoral", informou a DPU, em nota.

Adiamento

O MEC confirmou hoje a decisão de cancelar a aplicação das provas no próximo fim de semana nas escolas ocupadas e informou que, dos 8,6 milhões de candidatos inscritos no Enem, 191 mil farão as provas nos dias 3 e 4 de dezembro.

De acordo com o ministério, 304 locais de prova estão ocupados em 127 municípios. O Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável pelo Enem, garante a equivalência da prova a ser aplicada neste fim de semana e em dezembro.

Os candidatos afetados pela mudança serão notificadas por mensagem ou e-mail. Os novos locais de provas ainda não foram definidos. O ministro da Educação, Mendonça Filho, deve fazer um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão sobre o assunto amanhã (4).

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