Antes da prova, candidatos em São Paulo falaram sobre expectativa com redação

Elaine Patricia Cruz - Repórter da Agência Brasil

Pouco antes do início do segundo dia de prova, os estudantes conversaram com a Agência Brasil em um dos maiores locais de aplicação da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) na capital paulista, a Uninove, na Barra Funda. Eles falaram sobre o primeiro dia do exame e a expectativa com a redação, que será aplicada hoje (6) e é uma das provas mais temidas. 

A estudante Leticia Maiara, 16 anos, faz o Enem pela primeira vez e diz que está tensa. "A gente estudou o ano inteiro, mas chegou na hora e parece que não fez nada. Você fica nervosa e esquece. É tenso. Ontem foi difícil sim. Fiz toda a prova, mas chegou nas últimas [questões] eu já estava cansada. As últimas envolviam química e física", disse a jovem, que estuda na Escola Caetano de Campos e pretende fazer Artes Cênicas. Hoje ela espera ir melhor e tem expectativa de que o tema da redação aborde a questão da obesidade.

Alex Silva da Costa Junior, 18 anos, quer cursar fotografia e também considerou o primeiro dia de provas díficil. "A prova estava difícil, ainda mais porque não estudei. Vim na raça. Química e física estavam difíceis. Mas para quem não estudou, acho que fui bem. Hoje quero ir bem na redação", disse. Sobre a redação, ele disse esperar que seja sobre obesidade, "mas arrisco também mobilidade urbana".

Diferentemente das apostas dos dois estudantes, o tema escolhido para este ano foi intolerância religiosa, conforme divulgou o Inep após o fechamento dos portões e o início do segundo dia do Enem.

Atrasados

Alguns candidatos chegaram atrasados, depois do fechamento dos portões às 13h (horário de Brasília). Foi o caso de Amanda Carmelini, 23 anos, que quer cursar faculdade de fonoaudiologia. "Cheguei atrasada. Fiquei tarde estudando e aí acordei às 11h. O metrô parou e, quando cheguei aqui, já estava fechado. Agora vamos para o plano B. Vou tentar no ano que vem de novo", disse a estudante, após mostrar a inscrição e o documento de identidade.

No mesmo local, na zona oeste da capital paulista, um grupo de humoristas de TV fazia músicas zombando dos atrasados e fingindo ser "candidatos" retardatários. 

Ocupações

Sobre as ocupações de escolas, que levaram ao adiamento do Enem para 270 mil candidatos, Alex Junior disse que as ocupações "são um movimento que deve acontecer. Querendo ou não, é um direito nosso porque a escola é feita para a gente. Acho que é válido fazer esse movimento".

A estudante Julia Falzoni, de 18 anos, pretende cursar arquitetura e fez parte de movimentos de ocupação de escolas em São Paulo no ano passado. "A preocupação com o Enem não deveria acontecer porque é uma jogada para desligitimar as ocupações. Os governadores de cidades que têm escolas ocupadas deveriam mudar ou realocar os lugares, o que seria muito mais simples do que fazer a prova. Isso é muito mais complicado e deixa as pessoas revoltadas com o movimento".

É a terceira vez que ela faz o Enem. "A cada ano, notei que as provas ficam cada vez mais difíceis e mais próximas de nível de vestibular", disse, contando que este ano enfrenta um outro problema: uma torção. "Pisei de mal jeito . Isso atrapalha um pouco porque as vezes sinto dor e minha perna fica coçando. Mas vou fazer a prova mesmo assim".

Alguns candidatos chegaram acompanhados dos pais. É o caso de Gabriela, que não quis dar entrevista, e estava junto com a mãe, a dona de casa Antonia Silva, 54 anos. "Venho sempre com ela porque ela fica mais segura. Espero que ela consiga os pontos que eprecisa para entrar na faculdade. Ela quer fazer Letras. Eu queria outra coisa, mas ela quer isso e eu não posso influenciar no estudo dela. Ela tem que fazer o que é melhor para ela", disse.  

Para a dona de casa, as ocupações poderiam ter ocorrido em outro momento e assim não impactar o Enem. "Eles estão procurando melhorias para eles, mas eles não deveriam ter feito isso aí justamente próximo da prova do Enem. Deveriam deixar passar essa época e fazer o que eles acham que é certo. Pode prejudicar eles e os outros também porque não sabemos se a prova que eles vão receber é a mesma que estão fazendo hoje".

Os alunos que não puderam fazer as provas por causa das ocupações, farão o exame nos dias 3 e 4 de dezembro

Ambulantes

Aproveitando a movimentação de alunos em frente à Uninove, ambulantes montaram barraquinhas para vender lanches, chocolates, água, refrigerantes e canetas. Antonio Gonçalves, 56 anos, fica diariamente na frente da Uninove vendendo esse tipo de produto. "Estou vendendo menos do que no ano passado. Muito menos. Acho que a crise pegou geral. Pela quantidade de gente aqui [na frente] não era para sobrar nada. Estou vendendo 70% menos do que ano passado", contou.

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