Trabalhos acadêmicos valem medalha pela primeira vez nos Jogos Universitários

Vinicius Lisboa - Enviado especial*

Entre as 17 modalidades dos Jogos Universitários Brasileiros, uma envolve slides, bibliografia e até uma arguição. É o JUBs Acadêmico, que, pela primeira vez, dará medalhas de ouro, prata e bronze para os melhores trabalhos apresentados sobre temas relacionados ao esporte.

A competição recebeu 19 candidatos. Os trabalhos podiam ser de qualquer área do conhecimento, desde que envolvessem o tema proposto. Um aluno de engenharia poderia apresentar projetos otimizados de estádios ou um de administração se ater ao marketing esportivo, por exemplo, segundo o coordenador acadêmico da Confederação Brasileira de Desporto Universitário, Sandro Melo, que é professor da Universidade Federal do Acre.

"A gente estava procurando um formato que o JUBs absorvesse e que não que ficasse somente como um congresso paralelo", disse. Os trabalhos serão avaliados com base em 13 parâmetros que consideram a estrutura da pesquisa e sua apresentação e são avaliados por professores de três universidades federais. As pesquisas serão publicados na revista Journal of Amazon Health Science.

O professor da Universidade de Brasília André Reis, que participa da banca, disse que a decisão de delimitar o tema esporte para os trabalhos foi acertada para aproximar a discussão acadêmica das competições do JUBs. "São trabalhos que têm a ver com o dia a dia de quem é atleta, de quem é técnico esportivo. O que se discute aqui é o que se faz lá fora."

Pressão

A chance de disputar uma medalha aumentou a pressão sobre os estudantes que levam trabalhos acadêmicos aos JUBs. Antes, a divulgação era feita apenas por meio de pôsteres, sem necessidade de apresentação. Mas a mudança agradou os competidores.

"É bastante legal dar essa pressão de competição. Dá um incentivo legal para dar o máximo", disse o aluno de fisioterapia Nestor Cavalcante, da Universidade Federal do Ceará. Ele já havia participado do JUBs no ano anterior, quando as apresentações não valiam medalha nem envolviam uma comissão julgadora.

"Aqui parece um TCC [trabalho de conclusão de curso], então a gente fica mais nervoso. Mas deu pra levar e fiquei mais seguro depois que comecei", acrescentou o estudante, que apresentou uma pesquisa sobre a experiência de seu grupo de extensão no atendimento a atletas em competições esportivas universitárias de 2015 e 2016.

Aluno de educação física do Isecensa, em Campos de Goytacazes, no Rio de Janeiro, Matheus Clark disse que a competição acadêmica é uma forma de estimular a publicação de artigos e a pesquisa em sua área. "Muita gente busca artigo lá fora porque no Brasil falta. Ajuda as pessoas a dar valor e produzir", disse.

*O repórter viajou a convite da organização dos Jogos Universitários Brasileiros

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