Protesto contra medidas do governo cobre escadas da Alerj com 'pacotes da morte'

Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil

Um protesto contra as medidas fiscais do governo do Rio de Janeiro chamou a atenção de quem passou em frente à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) na tarde desta quinta-feira (10). Organizado pelo movimento Rio de Paz, o ato cobriu as escadarias do parlamento fluminense com 100 pacotes de papel pintados com cruzes vermelhas.

Segundo o coordenador do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, o protesto era contra o que ele chamou de pacote da morte, em referência às medidas de contenção fiscal propostas pelo governo do estado, com objetivo de reequilibrar as contas públicas. Entre as medidas, estão o fim do aluguel social para famílias desalojadas e o fechamento dos restaurantes populares.

"Esses pacotes pintados com cruzes vermelhas representam o drama do pobre. É um pacote de morte o que o governo do estado está propondo. Pois você tirar as migalhas que são oferecidas para 154 mil famílias que tem uma renda média mensal [por pessoa] de R$ 100 é uma iniquidade, depois de ter torrado verba pública em grandes eventos esportivos. Privando pessoas do aluguel social, que perderam tudo em desmoronamentos e enchentes, tiradas dos seus lares pelo próprio governo do estado", protestou Antônio Carlos.

Segundo ele, o pacote não faz com que os responsáveis pela atual situação econômica do estado paguem o preço de seus erros: "Estavam em Paris, comendo em restaurantes de luxo, torrando dinheiro público naquilo que não era prioritário. Agora botam o pobre para pagar esta conta. Eu não consigo imaginar uma nação desenvolvida permitindo que tamanho descalabro aconteça".

Bloqueio

Nesta quinta-feira, a União bloqueou mais R$ 140 milhões das contas do Tesouro Estadual do Rio de Janeiro, agravando a situação. Ao todo, nesta semana, já foram bloqueados R$ 310 milhões das contas do governo fluminense, segundo informou a Secretaria Estadual de Fazenda. As verbas foram bloqueadas em função de dívidas do estado com a União.

De acordo com a secretaria, a medida afeta a gestão dos recursos do estado e compromete o pagamento do salário de outubro dos servidores estaduais. A equipe econômica do estado está fazendo uma avaliação sobre o impacto desse novo bloqueio no caixa.

Em decorrência da invasão da Alerj na última terça-feira (8), o governo exonerou o comandante do Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos (BPGE), coronel Rodrigo Sanglard, que foi substituído pelo tenente-coronel Rubens Castro Peixoto Júnior. Segundo a PM, a troca já estava planejada, mas os policiais militares que guarneciam a Alerj deixaram os manifestantes - a grande maioria formada por policiais, bombeiros e agentes prisionais - entrar livremente no prédio, que acabou ocupado e depredado.

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