Secretaria de Segurança de SP é desocupada após tumulto com maifestantes

Elaine Patricia Cruz - Repórter da Agência Brasil

Os manifestantes que protestavam hoje (10) contra a morte de cinco jovens da zona leste de São Paulo decidiram desocupar o saguão da Secretaria de Segurança Pública, no centro da capital, por volta das 20h20. Eles permaneceram no prédio por cerca de uma hora e deixaram o local após o secretário Mágino Alves Barbosa Filho descer para falar com eles.

O protesto teve início por volta das 18h na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco. Previsto inicialmente para ser uma vigília, os manifestantes fizeram uma caminhada, segurando velas, até a sede da secretaria, onde o ato seria encerrado. Mas, chegando lá, os manifestantes decidiram ocupar o saguão do local, pedindo para falar com o secretário.

Inicialmente, um assessor informou que ele estava em Goiânia. Poucos minutos depois, no entanto, ele desceu e falou aos manifestantes que receberia uma comissão formada por quatro pessoas. Antes que os manifestantes decidissem como isso ocorreria, o secretário deixou a secretaria e, pela rua Líbero Badaró, deu a volta no prédio até a garagem, sendo seguido pelos ativistas sob gritos de "genocida" e "assassino". Um manifestante chegou a jogar água no secretário. Antes de sua saída, no entanto, indagado por jornalistas se esta foi a primeira vez que a secretaria foi ocupada, o secretário respondeu que foi "a primeira e a última vez".

Após a saída da secretaria, os manifestantes prometeram voltar ao local na próxima quinta-feira, no mesmo horário. "Nós saímos [da secretaria] porque a ideia aqui era chamar a atenção da sociedade brasileira para que o está acontecendo em São Paulo", disse Douglas Belchior, da Uneafro-Brasil. "O secretário combinou com a gente que receberia uma comissão, a gente estava discutindo isso com o coletivo e, enquanto a gente discutia, ele resolveu sair por conta própria colocando em risco todo mundo", acrescentou.

Segundo ele, o ato de hoje foi convocado por diversas organizações com a "tarefa de não deixar passar literalmente em branco ou batido" o caso dos jovens. "Estamos vivendo um recrudescimento, um aumento da violência policial aqui em São Paulo", falou ele à reportagem. "Queremos chamar a atenção para esse genocídio porque a polícia mata muito e só mata pobre e preto", disse.

Procurada pela Agência Brasil para falar sobre o ato e as investigações do caso, a Secretaria não retornou, até este momento, a solicitação .

Protocolo

Antes do início do ato, membros de movimentos sociais protocolaram um documento no Ministério Público Estadual pedindo que o órgão acompanhe as investigações em curso pela Polícia Civil. Eles também pedem que seja feita uma reunião dos movimentos, famílias e entidades de direitos humanos com os promotores que acompanham as investigações. "Chacinas e casos de mortes de jovens negros vem se sucedendo no estado de São Paulo, o que vem sendo denunciado exaustivamente pelos movimentos sociais e entidades atuantes em defesa de direitos humanos, de negros, indígenas e população pobre em geral", diz trecho do documento que foi protolocado no final da tarde de hoje.

Por meio de nota à Agência Brasil, o MP respondeu que o promotor de Justiça Pedro Wilson Bugarib, do 4° Tribunal do Júri, disse que o caso dos cinco jovens está sendo apurado por meio de inquérito em andamento no Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). "Ele informa que o sucesso das investigações depende da preservação do sigilo", diz a nota.

O caso

Em 21 de outubro, cinco jovens estavam indo de carro encontrar garotas em uma festa em um sítio em Ribeirão Pires, no Grande ABC, e desapareceram. A última notícia que os familiares receberam foi uma mensagem de um dos jovens no celular dizendo ter sido parado em uma blitz policial. Os corpos dos jovens foram encontrados somente no último domingo, em Mogi das Cruzes, já em estado avançado de decomposição.

Como há a suspeita de participação de policiais no desaparecimento dos jovens, a Corregedoria da Polícia está acompanhando o caso.

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