Índios fazem pajelança e atribuem prisão de Cabral à praga de ancestrais

Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil

 Índios comemoram a prisão de Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, em frente à sede da Polícia FederalTânia Rêgo/Agência Brasil

A prisão do ex-governador Sérgio Cabral foi comemorada hoje (17), por indígenas, no Rio, com uma pajelança feita em frente à sede da Polícia Federal. Eles dançaram em roda, ao som de chocalhos, e lembraram que Cabral foi responsável por sua expulsão do antigo Museu do Índio, prédio histórico que ocupavam ao lado do Estádio Maracanã. Cabral foi preso na manhã desta quinta-feira, na nova fase da Operação Lava Jato, denominada Calicute, que investiga desvio de recursos públicos federais em obras do governo do Rio.

Na desocupação do museu, os índios foram retirados à força pela tropa de choque da Polícia Militar, o que causou revolta e deixou muitos feridos. No dia em que foram expulsos, os índios avisaram que o governador havia mexido com os seus ancestrais, o que "não era um bom sinal".

"Com certeza, ele mexeu onde não devia. Ele não nos escutou. Nem ele, nem a Dilma. Foram caindo um por um. Nós, com muito respeito e muita fé, pedimos ajuda aos nossos ancestrais. Os povos indígenas não separam espiritualidade e política. Se nós somos atingidos e humilhados, os nossos ancestrais estão aí para nos defender. Nós fizemos fogueiras, fizemos rituais para que fôssemos vingados pelos nossos ancestrais", disse Michael Oliveira, do povo Baré-Mawé, do Amazonas, que atualmente é professsor e historiados na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Segundo ele, o prédio onde funcionou o antigo Museu do Índio tem uma grande importância histórica, pois foi palco de inúmeras reuniões entre representantes indígenas e autoridades da época.

"Ali, no palacete onde funcionou o Sistema de Proteção ao Índio, todas as querelas dos povos indígenas eram resolvidas. Tem relatos até de mortes que aconteceram lá. Vários caciques e morumbixabas de todo o Brasil iam lá, conversar com o Marechal [Cândido Rondon] e o professor Darcy Ribeiro. É o local de memória material e imaterial de vários povos indígenas", lembrou Michel.

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