Polícia faz ação na Cidade de Deus a procura de líderes do tráfico de drogas

Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil

 Tropas da PM circulam na Cidade de Deus, após operação no fim de semana, em que houve pelo menos 11 mortes Fernando Frazão/Agência Brasil

Mais de 6 mil alunos de escolas da rede municipal de ensino na Cidade de Deus, zona oeste do Rio, estão sem aula hoje (23), nos turnos da manhã e da tarde, devido a uma operação com mais de 400 homens da Polícia Civil. Os agentes estão cumprindo mandados de busca e apreensão na comunidade autorizados pela Justiça. A Polícia Civil já prendeu 14 pessoas acusadas de envolvimento com o tráfico de drogas, mas não conseguiu localizar o chefe tráfico de drogas, identificado como Edvanderson Gonçalves Leite, o Deco. Ele foi libertado em julho último por força de um habeas corpus e voltou para a Cidade de Deus.

Deco já foi preso quatro vezes nos últimos anos, fugiu da prisão duas vezes e foi recapturado pela Polícia Civil no ano passado, quando conseguiu sair da prisão por decisão judicial. De acordo com o Ministério Público estadual, os investigados fazem parte do Comando Vermelho, facção que domina o tráfico de drogas na região. O promotor de Justiça, Bruno Lavorato, disse que "o grupo impõe ordens e restrições aos moradores, se valem de armas e diversos meios de intimidação, além de inibirem o trabalho contínuo da polícia, instituindo verdadeiro poder paralelo alheio aos poderes do estado".

Há relatos de que a polícia arrombou casas de moradores. Em sua página nas redes sociais, o rapper MV Bill, morador na comunidade, reclamou que a Polícia Civil arrombou três apartamentos "onde também moro na Cidade de Deus. São moradores que conheço e sei que saíram para trabalhar".

O titular da Delegacia de Combate às Drogas, Felipe Curi, que comanda a ação, disse que a polícia está munida de mandados coletivos de busca e apreensão autorizados pela Justiça e que casas e apartamentos fechados podem ser arrombados. "Em três apartamentos que não tinha ninguém foram apreendidos três fuzis, quatro pistolas e drogas", justificou.

O titular da Delegacia de Homicídios da Capital, Fábio Cardoso, informou que seguem em andamento as investigações para apurar as mortes de sete pessoas na comunidade Cidade de Deus no último domingo, (20). Segundo ele, já foram realizadas as perícias necroscópicas, concluindo que as mortes foram em decorrência dos ferimentos a tiros.

Fábio Cardoso disse que diligências estão sendo feitas para identificar os autores e apurar as circunstâncias das mortes, esclarecendo que, no momento, há duas linhas investigativas: "a primeira, de que as mortes poderiam ter ocorrido durante confronto entre milicianos na Gardênia Azul [ que fica ali perto] ou, a segunda, durante confronto entre criminosos e policiais na comunidade. A delegacia ainda não descartou outras possibilidades. Durante as investigações, o fato será esclarecido".

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