Conta-petróleo pode ter primeiro superávit da história em 2016

Mariana Branco - Repórter da Agência Brasil

A conta-petróleo, que registra as exportações e importações brasileiras de petróleo e derivados, está superavitária em US$ 416 milhões no período de janeiro a novembro. O resultado reforça a possibilidade de ocorrer, em 2016, o primeiro superávit anual da conta na história. As informações foram divulgadas hoje (1°) pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

No mês de novembro, houve saldo positivo de US$ 531 milhões. É o quarto superávit mensal consecutivo, além de outros dois em meses isolados. Além disso, o saldo positivo no acumulado do ano é inédito se descartado um superávit em janeiro, em que o resultado mensal equivale ao acumulado. Segundo o secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto, a queda nos preços internacionais do petróleo, a alta nas exportações e a crise doméstica explicam o movimento.

"Há queda significativa na cotação do petróleo. O Brasil é um importador líquido [importa mais do que exporta], o que faz com que isso impacte ainda mais as importações [que registraram queda de 52,8% em novembro e de 42,4% de janeiro a novembro, na comparação com 2015]. É importante destacar ainda o aumento nas exportações brasileiras e a queda na demanda interna", afirmou.

Segundo dados do ministério, as exportações de petróleo e derivados aumentaram 53% em novembro em relação ao mesmo mês de 2015. De janeiro a novembro, houve queda de 19% na comparação com igual período do ano passado. O cálculo é feito pela média diária (valor negociado por dia útil).

Balança comercial

O secretário falou sobre a conta-petróleo em entrevista para comentar os resultados da balança comercial em novembro. A diferença entre as exportações e as importações brasileiras ficou positiva em US$ 4,758 bilhões no mês passado. No acumulado do ano, há superávit de US$ 43,282 bilhões. Os dois resultados são os maiores para os períodos desde o início da série histórica, em 1989.

"Isso reforça a previsão do governo de superávit entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões em 2016. Não somente pelo resultado de novembro, mas porque o mês de dezembro costuma ser tradicionalmente superavitário", declarou Abrão Neto. O superávit em 2016 pode superar o recorde histórico registrado em 2006, quando a balança encerrou o ano positiva em US$ 46,5 bilhões.

Contribuíram para o saldo positivo de novembro as exportações de manufaturados (alta de 41,8% ante 2015), principalmente automóveis de passageiros, açúcar refinado e plataformas de petróleo, e também, as de semimanufaturados (alta de 21,3%), com destaque para ferro e aço e açúcar bruto. Os ganhos com as vendas externas de produtos básicos caíram 5,5% na comparação com novembro de 2015.

No acumulado do ano, as vendas de semimanufaturados cresceram 5% e as de manufaturados, 2,1%. As exportações de básicos, por sua vez, registram queda de 9,6% no período. Isso puxou as exportações em geral para baixo. Há queda de 3,3% de janeiro a novembro de 2016 em relação a igual período do ano passado.

"São determinantes a demanda mundial e a demanda brasileira. Em ambos os casos, temos demandas desaquecidas. A economia brasileira está no caminho para a retomada do crescimento, mas, neste ano, tem desempenho ainda pouco satisfatório. É importante destacar também os preços. Há aumento da quantidade [exportada], mas, devido aos preços, temos tido uma taxa moderada de queda nas exportações", disse o secretário de Comércio Exterior.

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