Contrariando a China, Donald Trump quebra tabu e fala com Taiwan

José Romildo - Correspondente da Agência Brasil

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, quebrou um tabu na diplomacia internacional. Ele falou por telefone, nesta sexta-feira (2) com o presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, um gesto que o governo norte-americano vinha evitando fazer desde 1979 para não magoar o governo chinês.

China e Taiwan têm uma divergência de décadas por questões de soberania. A China considera Taiwan uma província chinesa, enquanto Taiwan se orgulha de ser um estado autônomo.

O telefonema de Trump dá prosseguimento a uma série de providências que indicam que o novo presidente norte-americano vai mudar o padrão diplomático que os Estados Unidos vinham mantendo até agora. Uma declaração do gabinete do presidente taiwanês sobre o conteúdo do telefonema afirma que a chamada durou mais de 10 minutos e incluiu discussões sobre desenvolvimento econômico e segurança e sobre "o fortalecimento das relações bilaterais". Tsai desejou sucesso a Trump à frente do governo americano. .

A aproximação dos Estados Unidos com Taiwan chega em um momento de tensão das relações da China com o governo taiwanês. No início deste ano, Taiwan elegeu seu novo presidente Tsai Ing-wen. Uma de suas primeira medidas foi anunciar que se recusaria a aceitar a noção de uma China unificada sobre o comando do governo de Pequim. A eleição de Tsai Ing-wen irritou tanto o governo chinês, que este chegou a suspender toda a comunicação com o governo taiwanês.

Histórico de Taiwan

O estado taiwanês moderno foi fundado pelo general chinês anti-comunista Chiang Kai-shek, em 1949, e - pelo menos em termos formais - se auto-proclama República da China. Desde que Taiwan foi fundada, houve diversas ocasiões em que as duas nações estiveram muito próximas de um conflito.

Não está claro se a conversa de Trump com o presidente taiwanês reflete uma mudança de política em relação à China. No entanto, especialistas dizem que o telefonema ameaça inflamar as relações dos Estados Unidos com Pequim, que têm sido particularmente conflituosas nos últimos anos devido às políticas chinesas, no que se refere ao Mar da China Meridional.

Os Estados Unidos adotaram uma política de "uma só China (sem Taiwan)" depois que Richard Nixon visitou o país controlado pelos comunistas em 1972. A China tornou-se um aliado americano de fato na Guerra Fria com a União Soviética e agora é um importante parceiro comercial.

O comércio com a China tornou-se uma questão importante na campanha presidencial de 2016, tendo Donald Trump ameaçado repetidamente instalar uma tarifa maior sobre produtos chineses para proteger a produção americana.

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