Protesto em Manaus reúne centenas de pessoas a favor da Lava Jato

Bianca Paiva - Correspondente da Agência Brasil

Centenas de pessoas se reuniram na manha de hoje (4), na Praça do Congresso, no centro de Manaus, para manifestarem apoio à Operação Lava Jato e repudiarem as alterações que o projeto com dez medidas contra a corrupção sofreu na Câmara dos Deputados na madrugada da última quarta-feira (30). Os manifestantes estavam com roupas verde-amarelas, alguns vestiam preto, carregavam bandeiras do Brasil, faixas e cartazes com palavras de ordem como "Fora, Renan" e "Viva, Moro".

Pôsteres em tamanho real do juiz Sérgio Moro e de outros membros da equipe da Lava Jato chamaram a atenção no local e foram disputados para tirar foto. Segundo Carlos Lima, um dos coordenadores do Movimento Direito Amazonas, a manifestação é uma forma de pressionar e chamar a atenção do governo para as insatisfações da população.

"Nós já fizemos outros movimentos como esse. Levamos mais de 100 mil pessoas para a praia da Ponta Negra, aqui em Manaus. Nós percebemos que a pressão em todos os estados gerou certo desconforto nos políticos. Nós percebemos que essas manifestações estão surtindo efeito e, por isso, estamos novamente nas ruas", declarou.

"Queremos reacender aquilo que se apagou no período pós-impeachment. Queremos falar para a sociedade que é um outro momento. Não é mais impeachment, agora vamos lutar contra a corrupção, apoiando todos os procuradores da operação Lava Jato, e também mostrar para os políticos que nós estamos de olho, que nós vamos lutar. Se for necessário, faremos uma caravana e vamos até Brasília", afirmou Lima.

A autônoma Patrícia Souza aderiu ao protesto para reclamar das mudanças feitas ao projeto de combate à corrupção. "Nós sabemos que o problema do Brasil em si é a corrupção, o cerne de tudo é a política. E eu acho que isso fere demais uma população que já está calejada por tanta coisa ruim que vem acontecendo. Eu acho que está na hora de mostrar aos políticos que a gente não dormiu", disse.

A dona de casa Lúcia Antônio participou pela primeira vez de um protesto. Segundo ela, não dava para ficar em casa diante da situação atual de corrupção no país. "De uns tempos para cá, quando eu comecei a ver, e acho que todo brasileiro começou a enxergar melhor o que a Lava Jato estava fazendo de bom para o Brasil, o trabalho sério do juiz Sérgio Moro, eu resolvi fazer minha parte como brasileira e sair da minha área de conforto e fazer alguma coisa também. Não acreditamos mais na classe política", ressaltou.

Para o promotor de justiça Daniel Amazonas, que também participou da manifestação, a atitude da Câmara dos Deputados prejudica as ações da operação Lava Jato e o trabalho de promotores, procuradores e juízes.

"Não só com relação a Lava Jato porque se essas medidas vierem a ser aprovadas no Senado, acredito que vá ser um prejuízo não só para a classe dos investigadores, do MP [Ministério Público], do Judiciário, até para a Polícia Federal, mas para toda a população. Acho que isso é uma espécie de retaliação. Não era o momento de ser colocado essas duas emendas que prejudicam os trabalhos de investigação", opinou.

Minuto de silêncio

Durante o protesto, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do acidente aéreo na Colômbia que matou 71 pessoas, entre jogadores e dirigentes do Chapecoense e jornalistas. O promotor de justiça criticou a aprovação do pacote anticorrupção com alterações no texto original no momento em que as atenções do país estavam voltadas para essa tragédia.

"Achei um absurdo quando foram aprovadas as supostas 10 medidas contra a corrupção na Câmara em plena madrugada. Coincidência ou não foi durante o acidente que aconteceu. Então muita gente entendeu que esses deputados se aproveitaram da situação. E no dia seguinte, a proposta já estava na mesa do Senado em regime de urgência para votação", destacou o promotor.

O protesto em Manaus foi coordenado pelo Movimento Aliança Amazônica Contra a Corrupção, que é composto por várias organizações como Amazonas em Ação, Direito Amazonas, Brasil Livre e Movimentos Internos da Maçonaria. Os manifestantes também fizeram uma carreata pelas ruas da cidade.

Em entrevista à Agência Brasil, na última quinta-feira (1º), o procurador Geral de Justiça do Ministério Público do Estado Amazonas, Fábio Monteiro, criticou a forma como deputados aprovaram o pacote anticorrupção. "É lamentável a postura dos deputados ao tomarem essa iniciativa, principalmente, na calada da noite, desconfigurando todo um projeto que não é do Ministério Público, mas assinado por 2 de milhões de pessoas, portanto, é da população brasileira, que visa exatamente a combater e a criar mecanismos aperfeiçoados para combater melhor a corrupção, ele seja desfigurado no sentido de intimidar promotores e juízes", afirmou Monteiro.

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