Republicanos elogiam aproximação de Trump com governo de Taiwan

José Romildo - Correspondente da Agência Brasil

Uma conversa telefônica de dez minutos entre o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, na sexta-feira (2), desencadeou um protesto formal da China e provocou dezenas de manifestações de preocupação de países da Ásia sobre os rumos da política externa norte-americana. No âmbito interno, porém, a conversa foi elogiada pela maioria dos integrantes do Partido Republicano, a agremiação partidária que levou Trump ao poder e que tem maioria no Congresso americano.

Depois do telefonema, a possibilidade de estreitamento das relações entre os Estados Unidos e Taiwan virou a questão número um no cenário internacional do novo governo, que assumirá em 20 de janeiro, concorrendo no mesmo plano até mesmo superando assuntos como a reaproximação com Cuba, a ameaça atômica do Irã e a expansão do terrorismo islâmico no mundo.

A conversa entre Trump e a presidente taiwanesa quebrou o tabu de quase quatro décadas em que os Estados Unidos procuraram evitar qualquer sinal de aproximação com Taiwan para não provocar ciúmes na China. A China não considera Taiwan um país soberano e sim, uma província a ser recuperada um dia, se necessário, pela força.

Taiwan, por outro lado, autoproclama-se como república e tem reiteradamente lutado contra a política de "uma só China", inaugurada em 1979. Naquele ano, o ex-presidente Jimmy Carter
alterou o status diplomático de Taiwan, até então reconhecida como representante do povo chinês. Pelo novo status, a China, e não Taiwan, passou a ser reconhecida como a líder de "uma só China", englobando o território de Taiwan nesse conceito.

O Ministério das Relações Exteriores da China informou ontem (3) que apresentou um protesto aos Estados Unidos em razão da conversa entre Trump e a líder taiwanesa. Pouco depois, Trump publicou no Twitter uma mensagem dizendo que o telefonema partiu da presidente taiwanesa, não dele.

O jornal taiwanês Taipei Times, no entanto, informou que o telefonema foi aparentemente organizado pelo pessoal da campanha de Trump em conjunto com funcionários de Taiwan. A assessoria da presidente Tsai Ing-wen informou que ambos os lados concordaram com antecedência sobre como fazer o contato.

Apoio dos republicanos

Ex-rival de Trump nas primárias republicanas durante a campanha eleitoral, o senador do Texas Ted Cruz divulgou mensagem no Twitter apoiando o telefonema entre o presidente eleito e a presidente taiwanesa Tsai Ing-Wen. Tede Cruz classificou a conversa de "melhoria [na política externa]". Segundo o senador, é preferível Trump falar com "a presidente Tsai do que com o cubano Raúl Castro ou com o iraniano Hasan Rouhani".

O senador republicano do Colorado, Cory Gardner, presidente do Subcomitê de Relações Exteriores do Senado para assuntos da Ásia Oriental e do Pacífico, disse que espera trabalhar com o presidente eleito para encontrar formas de "fortalecer nosso relacionamento com nosso aliado e amigo Taiwan". "A amizade entre nossos dois países é importante, e fico feliz em ouvir que o presidente eleito está comprometido com essa amizade", disse Gardner em comunicado.

O senador de Arkansas, Tom Cotton, republicano, também emitiu uma declaração de aprovação. "Eu elogio o presidente eleito Trump por sua conversa com a presidente Tsai Ing-wen, o que reafirma nosso compromisso com a democracia única em solo chinês", disse Cotton.

Jogada política

A conversa da presidente taiwanesa com o futuro presidente dos Estados Unidos levou parte da mídia americana a considerar a hipótese de que o telefonema foi uma jogada política para fortalecer a presença das empresas de Trump em Taiwan. As imprensas taiwanesa e chinesa informaram também que um representante da Organização Trump visitou uma cidade em Taiwan em setembro e manifestou interesse em investir em um projeto de desenvolvimento urbano em larga escala na área.

As empresas Trump desmentiram a versão da prefeitura da cidade taiwanesa de Taoyuan de que a Organização Trump está considerando levar à frente a construção de hotéis e resorts na cidade. Em entrevista à emissora de televisão ABC News, a vice-presidente de marketing da organização Trump, Amanda Miller, disse que não há planos de expansão para Taiwan e negou que os executivos estejam planejando uma visita. Ela acrescentou que os rumores de um desenvolvimento planejado [em Taiwan] são simplesmente falsos.

A conversa telefônica com a presidente tawanesa não é a primeira polêmica internacional de Trump. Na quarta-feira (30), Trump teve uma conversa telefônica com o primeiro-ministro paquistanês Muhammad Nawaz Sharif. Após a conversa, as autoridades paquistanesas disseram que Trump chamou Muhammad Sharif de "um cara fantástico", o que irritou a Índia, adversária histórica do Paquistão.

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, também disse que o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, o elogiou em um telefonema por conduzir sua brutal guerra às drogas "do jeito certo". O país é frequentemente criticado por aplicar uma política brutal de combate às drogas, que inclui execuções extrajudiciais de pessoas suspeitas de usar ou vender drogas.

Trump e Duterte conversaram por telefone na sexta-feira (2), mas o teor da conversa foi divulgado pelo jornal The New York Times sábado (3). Desde que assumiu o poder, em junho deste ano, mais de 2 mil pessoas foram mortas pela polícia e por guardas vigilantes das Filipinas, segundo organizações de direitos humanos. Este ano, quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que planejava discutir e questionar a campanha antidrogas com o chefe de Estado das Filipinas, Rodrigo Duterte ficou muito irritado e se referiu ao presidente norte-americano com um palavrão.

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