MPF aponta fatos que fundamentam denúncia contra o ex-governador Sérgio Cabral

Vitor Lisboa - Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Policiais federais levam malotes apreendidos na operação que levou à prisão do ex-governador Sérgio Cabral Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) detalhou hoje (7) informações sobre a denúncia apresentada contra o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, e investigados, que se tornaram réus após decisão judicial nesta semana que abriu a ação penal. O MPF enumerou 21 fatos que levaram a uma série de atos relacionados aos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Os procuradores da República, em entrevista coletiva  à imprensa, explicaram que as investigações continuam e que novas denúncias poderão ser oferecidas. O MPF e a Polícia Federal apuram um possível vazamento de informações sobre a operação e a infiltração de pessoas ligadas à quadrilha na estrutura do estado do Rio de Janeiro.

O MPF afirma na denúncia que a Construtora Andrade Guttierrez devia R$ 25 milhões de propina a Cabral e R$ 5 milhões ao seu ex-secretário de Obras, Hudson Braga. Ao ex-governador, foram pagos efetivamente R$ 7,5 milhões. Os procuradores afirmam que R$ 2 milhões contabilizados como propina pela construtora foram doados, dentro das regras eleitorais, ao diretório nacional do PMDB, para a campanha de 2010, e que Hudson Braga também recebeu perto de R$ 2 milhões.

Compras de joias, barcos e obras de arte e a construção de imóveis estão entre as estratégias usadas para ocultar o dinheiro recebido de propina da Andrade Gutierrez. Empresas que de fato existiam e falsos trabalhos de consultria também foram usados para que o dinheiro ilícito se misturasse ao lícito, o que dificultava o rastreamento.

O procurador Lauro Coelho evitou estimar quantos anos de prisão a denúncia pode provocar, mas disse que a intenção do MPF é que todos os crimes sejam somados. Os procuradores afirmaram não ter indício de participação no esquema do atual governador Luiz Fernando Pezão, que foi vice-governador e secretário de obras de Sérgio Cabral.

Planilha

As informações sobre propinas pagas pela Andrade Gutierrez constam em uma planilha que peritos atestaram ter sido preenchida até 2012. O que, segundo o MPF, afasta a possibilidade dela ter sido produzida e alterada para a delação. Dados fornecidos por colaboração premiada também deram subsídios para a as investigações sobre pagamento de propina e a Polícia Federal e o MPF acrescentaram provas e caracterizaram também a lavagem de dinheiro.

Com base na colaboração premiada dos executivos da Andrade Guttirrez, o Ministério Público  suspeita que os valores de propina envolvidos nas obras do Maracanã e do PAC Favelas  podem chegar a R$ 224 milhões. A estimativa é feita com base no cálculo de 5% do valor das obras, que foi cobrado no esquema e pode ter sido replicado na relação com as demais construtoras envolvidas.

Para o procurador Leonardo de Freitas, a crise no governo do Rio mostra que é urgente o combate à corrupção. "O estado foi assolado por organização que praticou extensos atos de corrupção, e esse mesmo estado hoje vive uma crise aguda que, sem dúvida, seria em alguma medida menor se toda essa corrupção e desgoverno não tivesse sido praticada no nosso passado recente", disse.

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