Em São Paulo, especialistas propõem práticas para diminuir sedentarismo no país

Ludmilla Souza - Repórter da Agência Brasil

Especialistas da área físico-esportiva do Brasil e do exterior estão reunidos no Sesc Pompeia, em São Paulo, para debater e apresentar propostas para aumentar a prática de atividades desportivas e de lazer no país. Eles participam do Seminário Internacional Move Brasil, que integra uma campanha que começou em 2012, e que hoje trabalha para reduzir o sedentarismo no país e aumentar o número de brasileiros praticantes de esportes e atividades físicas. Pesquisa do Ministério do Esporte, feita em julho de 2015, revela que 67 milhões de brasileiros, dos 14 aos 75 anos, são sedentários. O evento termina manhã (9).

O encontro, que foi aberto hoje (8) e prossegue até amanhã, debate o acesso da população a equipamentos esportivos e de lazer. O professor português Luis Miguel Cunha, da Universidade de Lisboa, mostrou que a conexão entre os espaços públicos para práticas esportivas com ações no âmbito do esporte pode melhorar os espaços urbanos. Ele citou exemplos praticados em Portugal, como a urbanização das favelas em torno do esporte.

"No município onde está localizada a minha universidade, o mercado imobiliário urbanizou as favelas, implantou equipamentos esportivos e, na vizinhança, começaram a construir outro bairro, com pessoas de renda econômica mais elevada, mas não muito diferente, e o equipamento esportivo passou a ser uma zona onde as pessoas interagem, principalmente as gerações mais novas", disse.

Em sua participação, a professora Simone Rechia, presidente do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, disse que as pessoas deveriam sair dos espaços privados para os públicos. "É preciso sair das redes de conexão tecnológica para os espaços de interação, como praças e parques. As crianças deveriam deixar os jogos eletrônicos e ir para os espaços lúdicos".

Na opinião de Rechia, é preciso pensar a cidade no seu conjunto, "Principalmente dando acesso a quem não tem, pois a segregação ocorre quando a gente dá mais para quem já tem mais e dá menos para os que nada tem. A ideia seria dar mais para quem tem menos. E manter quem tem mais, em total harmonia nessas diferenças das cidades, é um ter um equilíbrio de acesso a essas políticas de esporte, lazer e cultura."

A advogada Daniela Castro, da organização não governamental (ONG) Atletas pelo Brasil, falou sobre sua experiência na área de políticas públicas voltadas para o esporte. Ela indicou como as organizações devem trabalhar para a construção de projetos e ações de promoção do esporte e da atividade física, lembrando que o esporte é um direito constitucional, mas ainda não praticado.

"Temos uma constituição maravilhosa, o esporte é um direito, mas ainda está tudo no papel", afirmou. Segundo Daniela, existem diversas formas para o cidadão se engajar. "As ONGs são a sociedade civil organizada, mas precisam de doação, quem não pode ser um ativista direto, pode doar, pois precisamos de pouco. Londres deixa um grande legado após as Olimpíadas, mas, no Brasil, ainda temos o desafio, no fim dos grandes eventos, de colocar o esporte na agenda."

Move Brasil

O Move Brasil é uma campanha criada em 2012 para promover a prática de esportes e atividades físicas, e assim aumentar até este ano, 2016, o número de brasileiros ativos. A campanha é resultado da colaboração de instituições, empresas, grupos e pessoas. A iniciativa teve por objetivo formar uma rede de parceiros para difundir sua mensagem. Foi inspirada nas ações desenvolvidas pela ISCA (International Sport and Culture Association) na Europa, em especial, a campanha Now We Move.

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