Inflação tem surpreendido favoravelmente, diz presidente do BC

Kelly Oliveira - Repórter da Agência Brasil

A inflação corrente tem surpreendido favoravelmente, segundo o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, que participou hoje (9) de reunião com conselheiros do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em São Paulo. O evento foi fechado à imprensa, mas o BC publicou o discurso de Goldfajn.

"É verdade que há sinais de uma pausa, na margem, na desinflação de alguns componentes do IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo] mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária [decisões sobre a taxa básica de juros]. Todavia, surpresas positivas na inflação e a fraqueza na atividade tornam mais provável a retomada do processo de desinflação desses componentes", disse Goldfajn.

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil

A inflação oficial, medida pelo IPCA, ficou em 0,18% em novembro deste ano, abaixo do 0,26% do mês anterior. Essa também é a menor taxa para meses de novembro desde 1998. Em 12 meses, o IPCA acumula taxa de 6,99%, bem abaixo dos 7,87% registrados em outubro.

Diante da recessão econômica e da melhora na inflação, o Bando Central tem sinalizado que pode intensificar o corte da taxa básica de juros, a Selic. Nas suas duas últimas decisões, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual. Atualmente, a taxa está em 13,75% ao ano.

A Selic é um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação. Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação.

Crise econômica e reformas

Segundo Goldfajn, um dos fatores que levaram o país à atual crise econômica foi o "fim um período de ouro para economias emergentes exportadoras de commodities". Internamente, o presidente do BC avaliou que foram cometidos excessos, com crescimento dos gastos públicos e privados acima do nível sustentável, levando a um endividamento crescente. Segundo ele, o governo anterior adotou políticas "demasiadamente intervencionistas", que geraram "sérios desequilíbrios na economia".

Para o país voltar a crescer, Goldfajn disse que é preciso manter a perseverança e a serenidade para eliminar "excessos do passado e envidar todos os esforços para levar à frente as reformas na área fiscal - incluindo a PEC [Proposta de Emenda à Constituição] da Previdência".

"Devemos promover investimentos em infraestrutura e acelerar as concessões. O resultado dessas ações levará à queda sustentável dos juros, juntamente com a queda permanente da inflação", acrescentou o presidente do BC no discurso aos empresários.

Para Goldfajn, com crescimento sustentável, o país será capaz de aumentar o emprego e a renda. "Temos certeza de que assim melhor contribuiremos para dar curso ao desenvolvimento econômico e social do Brasil", afirmou.

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