Membros do PCC são transferidos para regime de isolamento em presídio paulista

Elaine Patricia Cruz - Repórter da Agência Brasil

Treze membros da facção que atua nos presídios paulistas, o Primeiro Comando da Capital (PCC), investigados pela Operação Ethos, foram transferidos hoje (14) para o presídio de Presidente Bernardes, a cerca de 580 quilômetros da capital. No local, eles cumprirão penas sob o regime disciplinar diferenciado (RDD). O RDD é considerado o mais rígido do sistema penitenciário, pois é um regime de isolamento que permite apenas uma hora de banho de sol por dia e restrição de contato com o mundo exterior.

A informação foi confirmada pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), que informou que a transferência foi autorizada pela Justiça paulista. Segundo a secretaria, a transferência ocorreu sem anormalidades. Os nomes dos presos transferidos não foi revelado, mas um dos investigado na Operação Ethos é Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o líder do PCC.

A Operação Ethos foi deflagrada no dia 22 de novembro e identificou 54 pessoas, entre membros do PCC que já estavam cumprindo pena e advogados que atuavam em colaboração com o PCC. Um dos presos na operação foi o ex-vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Luiz Carlos dos Santos, que vai responder a processo na Justiça por associação com o crime organizado.

Crimes de Maio

No dia 12 de maio de 2006, dezenas de rebeliões tiveram início nos presídios de São Paulo. Um dia antes, a Secretaria de Administração Penitenciária havia decidido transferir 765 presos para a penitenciária de Presidente Venceslau, unidade de segurança máxima no interior paulista, após escutas telefônicas terem revelado que facções criminosas estariam planejando rebeliões para o Dia das Mães. Entre os presos que foram transferidos estava Marcola.

Após as transferências, rebeliões aconteceram em 74 penitenciárias do estado, articuladas pelo PCC em represália. Os ataques contra agentes de segurança do estado deixaram de ocorrer apenas nos presídios e passaram a ter como alvo viaturas, delegacias de polícia, cadeias e prédios públicos. Agentes penitenciários e policiais foram os principais alvos em todo o estado.

Em resposta aos ataques articulados pelo PCC, agentes do estado e grupos de extermínio saíram às ruas, em revide. Ocorreram toques de recolher ou mesmo boatos sobre a ordem e a população escondeu-se em casa, com medo de sair às ruas. Supermercados, bares, serviços, escolas, universidades e comércio foram fechados mais cedo. Ônibus pararam de funcionar, principalmente nas periferias da cidade. O resultado dessa onda de ataques de agentes do estado e integrantes do PCC, que ficou conhecida como crimes de maio, foram 564 mortos e 110 feridos entre os dias 12 e 21 de maio daquele ano.

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