Republicanos desistem de esvaziar órgão de ética que investiga Congresso

José Romildo - Correspondente da Agência Brasil

O Congresso norte-americano, dominado pelo Partido Republicano, teve de voltar atrás e desistir da proposta, aprovada anteriormente pelos representantes do partido, de esvaziar o órgão independente destinado a investigar desvios éticos de deputados e senadores.

A desistência frustrou a expectativa dos congressistas republicanos e obrigou o partido a cancelar uma agenda de medidas históricas previstas por deputados e senadores eleitos recentemente. A nova legislatura começou em 3 de janeiro de 2017 e só vai terminar em 3 de janeiro de 2019. O plano dos congressistas era aprovar as medidas anunciadas pelo presidente eleito Donald Trump durante a campanha e eliminar uma série de realizações do presidente Barack Obama, eleito pelo Partido Democrata, inclusive o seu programa de assistência à saúde denominado Obamacare.

O órgão de ética foi criado em 2008, após vários escândalos de corrupção no Congresso norte-americano denunciados pela imprensa. Muitos congressistas queriam esvaziar ou acabar com o órgão de ética, alegando que a repartição trabalhava muito rápido para condenar parlamentares em vez de investigar a fundo as acusações.

Na noite de segunda-feira (2), em uma sessão pré-inaugural, os membros do Partido Republicano votaram para reestruturar o órgão de ética do Congresso, retirando sua independência e colocando a repartição sob o comando de um comitê do Congresso.

Ao saber da decisão, o presidente eleito Donald Trump postou ontem uma mensagem no Twitter dizendo que o momento da mudança no órgão de ética era inadequado. Ele chamou a atenção dos congressistas, afirmando que essa jamais deveria ser prioridade para um Congresso recém-eleito. "Concentrem-se na reforma tributária, na saúde e em tantas outras outras coisas de maior importância!", disse Trump no Twitter.

A postagem do presidente eleito provocou uma reunião urgente dos líderes republicanos. Ao final do encontro, a porta-voz da presidência da Câmara dos Representantes, AshLee Strong, anunciou que os líderes republicanos tinham desistido das mudanças no órgão independente de ética.

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