Banho de sangue na Síria "é o preço que se paga", diz Assad em entrevista

Da Rádio França Internacional

A cidade de Aleppo, na Síria, foi duramente castigada durante os conflitos              Lusa/divulgação

Em uma entrevista concedida à mídia francesa, depois da retomada total da cidade de Aleppo pelas forças de Damasco, o presidente sírio, Bashar al-Assad, falou sobre o conflito que massacra o povo há mais de cinco anos. O "banho de sangue" na Síria é "dolorido", mas "é o preço que se paga", afirmou à Rádio França Internacional.

"Claro que é dolorido para nós, sírios, ver uma parte de nosso país destruído e ver um banho de sangue. (...) Todas as guerras provocam destruição, todas as guerras provocam mortos. (...) Você não pode dizer que uma guerra é boa. Nunca ouvi falar, na história, de uma boa guerra. Mesmo que ela aconteça por boas razões, para defender seu país, não é a solução", explicou o presidente sírio às rádios France Info e RTL e ao canal de televisão LCP.

Bashar al-Assad admitiu que a decisão de combater os rebeldes resultou na morte de mais de 310 mil pessoas em pouco mais de cinco anos. "A questão que se deve fazer é: como você pode libertar os civis dos terroristas nessas áreas [bairros rebeldes]?", perguntou a um repórter. "O que é melhor: abandoná-los nas mãos de terroristas que os decapitam, que os assassinam? O papel do Estado é ficar de braços cruzados?", questionou.

A caminho de uma vitória

Para Assad, a reconquista de Aleppo foi "um momento crítico no conflito sírio", mas o regime está "a caminho de uma vitória". Entretanto, a verdadeira façanha será, segundo o presidente sírio, "quando teremos eliminado todos os terroristas".

Segundo ele, seria inadmissível não ter agido em Aleppo, retomada pelo regime sírio das mãos dos rebeldes no dia 22 de dezembro, com a ajuda da Rússia. A cidade se tornou o símbolo da catástrofe humanitária na Síria, com os civis no fogo cruzado entre insurgentes, forças do governo e russas, e diante do fracasso da comunidade internacional em tentar encontrar uma saída para a situação.

"Tínhamos que libertar os civis. Esse é o preço que pagamos. E, no final, as pessoas estão livres dos terroristas", alegou.
Damasco se refere aos insurgentes como terroristas, sem fazer distinção entre os rebeldes sírios e os membros do grupo Estado Islâmico.

A Rússia passou a apoiar Assad com a justificativa de combater unicamente os jihadistas, apesar da denúncia de Organizações Não Governamentais e da população dos bombardeios indiscriminados que, durante mais de um ano, não pouparam nem rebeldes, nem civis.

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