Política monetária entrou em novo ritmo, diz presidente do BC em Davos

Mariana Branco - Repórter da Agência Brasil

Brasília - O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn,  disse ver a globalização como um processo benéfico para as economias emergentes José Cruz/Agência Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, disse hoje (18) em Davos, na Suíça, que a política monetária entrou em um novo ritmo, referindo-se à redução em 0,75 ponto percentual da Selic, taxa básica de juros da economia, atualmente em 13% ao ano. Goldfajn ressaltou que a continuidade da redução nesta intensidade depende da inflação e da atividade econômica.

O presidente do BC participou de coletiva de imprensa organizada pelo Fórum Econômico Mundial ao lado do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Ilan Goldfajn disse ver a globalização como um processo benéfico para as economias emergentes.

"No caso do Brasil, houve crescimento dos benefícios para a classe média. Nós continuamos a apoiar a globalização porque beneficiou nossa economia e nossa classe média," declarou.

Para Henrique Meirelles, a globalização é positiva também para economias desenvolvidas, como a dos Estados Unidos, onde Donald Trump venceu as últimas eleições apresentando um projeto protecionista, que encontrou aceitação junto uma parcela da população que se percebe como prejudicada pela penetração de empresas estrangeiras no mercado norte-americano.

"Se você tomar os Estados Unidos, você tem importações de um lado eliminando alguns empregos americanos, mas [benefícios como] alta tecnologia, serviços, criando todo tipo de trabalhos. Além disso, a população inteira se beneficia de preços mais baixos," disse.

O ministro acrescentou que o Brasil precisa "reformar a economia para tirar mais vantagens da globalização". Meirelles disse que há reformas "básicas" a serem aprovadas no país, como a reforma da Previdência e a trabalhista.

Revisão do PIB

O ministro da reafirmou que o governo revisará nos próximos dias a estimativa de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e riquezas produzidos por um país) em 2017. A projeção do governo para o PIB atualmente é alta de 1% este ano.

A previsão está abaixo das projeções de mercado. No último boletim Focus, pesquisa com instituições financeiras divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), a projeção para este ano foi crescimento de 0,5% do PIB.

Além disso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alterou na segunda-feira (16) a projeção para o PIB brasileiro, de crescimento de 0,5% para 0,2%. A Organização das Nações Unidas, prevê crescimento de 0,6% do PIB do país para 2017.

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