Polícia alemã desmantela grupo que planejava ataques contra refugiados

Agência France Presse

A Polícia alemã anunciou nesta quarta-feira (25) que desmantelou um grupo de extrema-direita suspeito de planejar ataques antissemitas contra refugiados e policiais. As informações são da Agência France Presse.

A operação, que mobilizou cerca de 200 agentes, aconteceu simultaneamente em várias regiões do país, incluindo na capital, Berlim, com buscas em uma dezena de casas, segundo informou a procuradoria federal antiterrorista alemã.

O alvo eram seis suspeitos de serem os membros fundadores de um pequeno grupo disposto a realizar ações violentas. Dois deles foram colocados em prisão preventiva.

Um comunicado da procuradoria indica que eles são suspeitos "desde 2016 de planejar ataques armados contra a polícia e representantes do governo, requerentes de asilo e membros da comunidade judaica".

Explosivos, uma grande quantidade de munição e armas foram encontradas. A Justiça reconheceu, no entanto, "não dispor de elementos concretos sobre a preparação iminente de um ataque".

Reichsbürger

O grupo alvo é próximo do movimento Reichsburger (cidadãos do Reich alemão), nostálgicos da Alemanha imperial de antes de 1914 para uns e do Terceiro Reich de Adolf Hitler para outros, composto por milhares de pessoas.

O grupo reúne uma multidão heterogênea de neonazistas, adeptos da teoria da conspiração e até mesmo esotéricos.

"Existe uma proximidade ideológica evidente" entre as pessoas cujas residências foram revistadas nesta quarta-feira e este movimento", indicou a procuradoria.

Vigiado há tempos, o Reichsbürger ficou conhecido por se recusar a reconhecer a administração alemã, recolher impostos, contribuir para a previdência social e pagar multas.

De acordo com fontes próximas à investigação, alguns membros do grupo chamam uns aos outros de "druidas [sacerdote celta, de grande influência política] celtas" 

Um deles em particular, com cerca de 60 anos, proclamava na internet atos de violência contra muçulmanos e judeus.

Essas ameaças passaram a ser levadas a sério pelas autoridades, principalmente após uma série de assassinatos de caráter racista nos anos 2000 por um grupo neonazista.

De acordo com a Inteligência interna alemã, o movimento do Reichsbürger tem atualmente cerca de 10 mil membros.

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