Ato em SP pede inserção de travestis e transexuais no mercado de trabalho

Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil

A segunda edição da caminhada pela paz na capital paulista reivindica a inclusão de travestis e transexuais no mercado formal de trabalho. O ato começou às 14h de hoje (28) no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, e seguiu em direção à Câmara Municipal de São Paulo, no centro.

Dimitri Sales, presidente do Instituto Latino Americano de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, disse que o objetivo é dar visibilidade para travestis e transexuais. "É revindicar os direitos, tirar o estigma e o preconceito", disse. "Queremos dignidade e emprego, estamos lutando para que essas pessoas sejam inseridas", completou.

A transexual Renata Peron, presidente da Associação Centro de Apoio e Inclusão Social de Travestis e Transexuais (Cais), conseguiu se formar e ter uma profissão - atualmente ela é assistente social. "Estudei três anos e meio em uma universidade que não tinha abertura, mas a gente acabou abrindo espaço de diálogo. É tudo muito difícil, mas quando a gente luta, a gente consegue", contou ela.

Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), com a falta de aceitação do empregador formal, 90% desse público tem de recorrer à prostituição para sobreviver. Por isso, durante o ato, os participantes fizeram um desfile vestindo-se com roupas que remetem às profissões que travestis e transexuais desejam ter.

"Não podemos ficar esperando que o estado tenha essa consciência e faça [políticas públicas para travestis e transexuais] sem cobrar. Nenhum dos movimentos que até hoje conseguiram direitos, como o negro e os deficientes físicos, ficaram esperando o estado reconhecer isso, foram à luta. É o que nós estamos fazendo", disse Renata.

Os organizadores vão entregar, no final do ato simbólico em frente à Câmara, a minuta de um projeto de lei a vereadores pedindo cotas de 5% em concursos públicos e em favor de políticas públicas para que mais travestis e transexuais tenham emprego com carteira assinada. "Só não se deve discutir cotas em um país que tem evolução e educação para todos", disse Renata.

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