Sob protestos, moradores desocupam prédio no centro do Rio de Janeiro

Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil

Moradores tiveram que deixar móveis e objetos na calçada em frente ao prédio desocupado Tânia Rêgo/Agência Brasil

Cerca de 20 famílias deixaram hoje (31) um prédio ocupado há um ano, na Lapa, região central da cidade do Rio de Janeiro, após uma ordem de despejo. Com a mediação da Defensoria Pública do estado e de autoridades do Poder Público, a Polícia Militar não precisou entrar no edifício e a desocupação foi feita pelos próprios moradores, em três horas.

Desde às 8h, os moradores começaram a deixar o prédio, descendo colchões, geladeiras e fogões, que foram colocados na calçada, em frente à unidade. As famílias, muitas com crianças pequenas, disseram não ter para onde ir ou onde guardar os poucos bens.

Quatro andares do edifício número 38 na Rua Visconde do Rio Branco, vazios há anos, foram ocupados pelas famílias há cerca de um ano segundo a Defensoria Pública. No local, já chegaram a morar mais de 40 famílias, que acabaram saindo, ao longo da semana, por causa da ordem de despejo. "São pessoas em situação extremamente precária, sem condições de pagar nem um aluguel em favela", disse a defensora Adriana Bevilaqua, que acompanha o caso.

Segundo ela, como a ocupação do imóvel era recente, conseguir na Justiça a permanência dos moradores era uma solução difícil. A desocupação foi autorizada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

Iolene Maciel, 38 anos, morava há dois anos no apartamento 408 do prédio, com mais oito pessoas, entre elas um bebê, duas crianças e a mãe - uma senhora idosa que desmaiou em meio a confusão. "Estávamos esperando essa desocupação, deixei minha filha de 13 anos na casa de minha ex-sogra, só que para onde eu vou? Não sei o que fazer" desabafou, com o neto no colo, enquanto o filho retirava os últimos bens do imóvel.

Abrigo

A prefeitura ofereceu um abrigo na Ilha do Governador, mas as famílias consideram o local distante do centro, onde a maioria trabalha como camelô.

Durante a desocupação houve um princípio de confusão, com moradores exaltados reclamando do despejo e da polícia, mas a situação foi controlada rapidamente.

O assessor da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Waldeck Schwenck, disse que foi ao local para garantir os direitos das famílias durante o cumprimento da ordem judicial. "Se a gente quisesse fazer de forma atropelada teria dado tumulto. Nós buscamos fazer as coisas de maneira consensual. As pessoas aqui não estão porque querem", disse. Schwenck foi uma das autoridades que mediou a desocupação.

A Defensoria Pública, que segue monitorando a ação, quer que os objetos dos moradores sejam levados a locais indicados por eles, no serviço de frete disponibilizado pelo dono do imóvel. A expectativa é que até fim do dia os móveis sejam retirados da rua.

*Texto alterado às 14h58 para correção do nome da rua em que o prédio está localizado

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