Concerto na Paulista marca protesto contra o fim da Banda Sinfônica de SP

Marli Moreira - Repórter da Agência Brasil

Em tom de despedida e de lamento, músicos da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo se apresentaram hoje (5),na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) para protestar contra a intenção do governo paulista de encerrar o contrato com os 65 componentes do grupo. O maestro da banda, Marcos Sadao Shirakawa, informou que as demissões devem ocorrer a partir da próxima quinta-feira.

De acordo com o regente, depois de saber, em dezembro, sobre o fim das atividades da banda, o grupo conseguiu aprovar uma emenda na Assembleia Legislativa permitindo aos seus integrantes "respirar um pouco". Mas, no final de janeiro, eles receberam a convocação pública de que a verba destinada aos custos da banda tinha sido contingenciada. "Com isso encerra 27 anos de história da banda que é referência não só para os jovens de São Paulo interessados na música erudita quanto do país todo. É uma perda para todos, músicos, compositores, jovens que estão iniciando a carreira e toda a sociedade", lamentou o maestro.

A Agência Brasil procurou a Secretaria da Cultura do Estado para saber o motivo para tal medida e foi informada de que o governo precisa realocar recursos equivalentes aos custos do grupo musical para ações sociais. No entanto, a secretaria afirmou em nota que "reconhece a importância da Banda Sinfônica, que continuará suas atividades mediante a captação de patrocínio e outras formas de contratação dos músicos. No cenário de recessão que vive o país, a medida visa preservar programas com foco social".

Ainda segundo a nota, os gastos do governo com os salários dos componentes da banda chegam a R$ 7 milhões por ano, valor que "garante a manutenção de 140 polos e 15 mil vagas do Projeto Guri, que promove aulas gratuitas de iniciação musical para um total de 53 mil crianças e jovens de todo o estado"

Apesar disso, o maestro Sadao disse que está tentando reverter o processo de extinção da banda. "Nós músicos eruditos não encontramos vaga de emprego no jornal e necessitamos de chances em concursos abertos por grupos ou bandas e orquestras, mas ultimamente, existem cada vez menos grupos sinfônicos".

Um dos integrantes, o clarinetista Lindemberg Cavalcanti, lamentou o fim da banda. "Esperamos que isso se reverta", disse ele, que também leciona em um conservatório de Tatuí, interior de São Paulo, município conhecido por sua atuação musical.

Em seu concerto protesto, a banda tocou músicas conhecidas do público como Bolero de Ravel, a Aquarela do Brasil, Dois Corações e a Marcha de Radetzky , de Johann Strauss. A apresentação erudita destoou dos estilos mais populares que passaram a ser mais ouvidos naquela região há pouco de mais um ano depois do fechamento da Avenida Paulista para o tráfego de veículos.

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