Falta de material em instituto da Polícia Civil do RJ atrasa liberação de corpos

Cristina Índio do Brasil - Repórter da Agência Brasil

A falta de materiais no Instituto de Pesquisa e Perícia em Genética Forense (IPPGF), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, tem dificultado a liberação de corpos que necessitam ser identificados por meio de exame de DNA para emissão de certidões de óbito. Entre os afetados pelo problema está a família da cantora Loalwa Braz Vieira, 63 anos, que foi encontrada morta em 19 de janeiro. O corpo permanece no Instituto Médico Legal (IML) de Araruama, na Região dos Lagos, porque até agora não foi identificado. Ela morreu depois de ser agredida e o corpo foi encontrado carbonizado dentro do seu carro.

O irmão da cantora, Walter Loalwa Vieira, informou que a liberação e a concessão do atestado de óbito não podem ocorrer sem um exame de DNA, que será feito no IPPGF, ainda sem previsão de data. "O departamento não tem reagente, não tem nitrogênio líquido e não tem material necessário para fazer o exame. Conversando com o pessoal do departamento eles dizem, que, ultimamente, eles vêm trabalhando dessa forma com grande dificuldade e pegando material emprestado com as universidades", disse. Vieira contou que, apesar de o corpo ter sido encontrado há 21 dias, somente na quinta-feira passada (2) o IML de Araruama encaminhou para o IPPGF uma amostra de material genético de Loalwa.

Vieira afirmou que o IPPGF já tem também o material genético do filho da cantora para fazer a comparação. "Está na mão deles e eles não têm os insumos para fazer o exame. Dizem que o estado não está comprando. As últimas análises que fizeram foi com material emprestado. Disseram que tem uma empresa que fornece nitrogênio líquido e se comprometeu a comprar para fornecer para eles lá, mas sem data prevista", completou.

A Polícia Civil confirmou, por meio de nota, que por causa de "restrições orçamentárias conjunturais", o nitrogênio utilizado nos laudos vinha sendo doado por universidades, as quais, neste momento, também enfrentam carência do produto. Ainda de acordo com a corporação, a empresa privada que aderiu ao projeto "Juntos com a Polícia" comprometeu-se a comprar nitrogênio para doação, mas ainda sem data prevista.

Vieira lembra que não é somente o caso de Loawla que sofre com o atraso. Mas espera que, como a morte da irmã ganhou ampla divulgação, possa chamar atenção para o problema. "Outras pessoas estão passando pela mesma coisa. Se o caso da minha irmã puder agilizar a compra desse material, doação, ou o que seja, em quantidade suficiente para atender os vários casos que têm lá para identificação, acho que seria ótimo", apontou.

Diante da impossibilidade de ter uma data precisa, o órgão deu um prazo padrão de 60 dias para concluir o exame e fazer a identificação do corpo para a liberação do atestado de óbito. Até agora sem poder fazer o enterro da cantora, a família fez uma cerimônia particular simbólica. "A gente fez uma despedida simbólica. Nos reunimos aqui, nos abraçamos, fizemos uma prece", conta Vieira.

Sepultamento

A Polícia Civil acrescentou que tem se esforçado junto à Secretaria de Estado de Segurança (SESEG) e ao governo estadual para retomar as licitações para compra do insumo. O órgão destacou que essa situação, no entanto, não impede a realização de sepultamentos por familiares, na condição de não identificado. Disse ainda que o corpo da cantora "já está liberado para a família desde que esta providencie a certidão de óbito conforme orientação fornecida".

"Eu nem cogitei da possibilidade de fazer um enterro sem a identificação. Primeiro, porque eu não posso transportar este corpo daqui para o Espírito Santo sem identificação. Eu quero levar a minha irmã para ela ficar junto com a minha mãe na mesma sepultura", disse Vieira.

No mesmo dia em que o corpo da cantora foi localizado dentro do carro queimado, a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, em flagrante, os autores do crime. São eles  Wallace de Paula Vieira (23 anos), Gabriel Ferreira dos Santos (21) e Lucas Silva de Lima (18).

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