Governo fixará critérios de seleção de brasileiros para escola de TV de Cuba

Sumaia Villela - Correspondente da Agência Brasil

Roberto Freire defende critérios para a seleção de brasileiros que desejam ingressar na Escola de Cinema e TV de CubaJosé Cruz/Agência Brasil

O Ministério da Cultura (MinC) quer estabelecer critérios para a seleção de brasileiros que ingressam na Escola Internacional de Cinema e Televisão de Cuba (Eictv) com bolsas concedidas pelo governo federal. A declaração é do ministro Roberto Freire, em entrevista  hoje (9), no Recife.

A Secretaria de Audiovisual (SAV), ligada ao ministério, concede bolsas parciais a alunos selecionados pela escola cubana. Recentemente, a representação do processo seletivo no Brasil informou que a parceria tinha sido suspensa. Freire disse, no entanto, que ela deverá continuar, mas não "nos mesmos termos".

"Vai ter que fazer um novo acordo que tenha eficácia jurídica, e vamos começar a definir os nossos interesses também, porque você não sabia nem quem ia para Cuba e quem de lá voltava. E o que isso significava", disse o ministro.

Segundo ele, é preciso criar critérios para a seleção. Roberto Freire afirmou, ainda, que os alunos que estão fazendo o curso não serão afetados. "Não vai haver descontinuidade para os alunos que estão lá. Vamos respeitar isso, mas vamos fazer em novas bases", adiantou.

Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, o Ministério da Cultura havia informado que o Termo de Cooperação, firmado em 2009, entre a Secretaria de Audiovisual do MinC e a Fundação Del Nuevo Cine Lationamericano - mantenedora da Escola de Cinema e TV de Cuba - não se encaixa na "legislação que rege as parcerias com o setor privado (lei 13.019/2014). Esta lei não admite parcerias com entidades estrangeiras, ainda que sem fins lucrativos, sem que tenham constituição jurídica em território brasileiro", diz o texto.

Processo de seleção

Por telefone, o coordenador da seleção de estudantes brasileiros, Guido Pádua, confirmou que há um diálogo para que o acordo seja restabelecido. Um dos pontos para os quais o ministério pediu esclarecimentos, segundo ele, é a forma como os alunos são selecionados. "O processo é todo independente do ministério. Sendo independente, nunca foram discutidos internamente esses critérios, e é isso que a gente tem que fazer. Eu tive uma conversa com a SAV [Secretária de Audiovisual, do MinC] na semana passada e estou aguardando agora; eles falaram que eu vou a Brasília para explicar como é esse processo de seleção", afirma.

Pádua diz que "o problema é que o final do processo de seleção da escola é feito em Cuba, não no Brasil", e que não há um número fixo de vagas disponibilizadas para brasileiros a cada processo seletivo.

"A gente pode até definir um número de vagas para o Brasil, mas não tem como definir quais vagas. Porque são oito áreas diferentes, e os brasileiros que vão [para Cuba] dependem também dos candidatos de outros países. São cinco por área no mundo que vão para lá todo ano. Isso vai depender de muitas variáveis, não têm como prever", explica.

Anualmente, o coordenador calcula que entre quatro e seis brasileiros entrem na Eictv, seguindo uma média histórica. O custo do curso é de €15 mil por três anos, com direito a hospedagem, alimentação e deslocamento até a escola, entre outros benefícios. Desde 2009 o governo brasileiro, por meio do Ministério da Cultura, pagava até 75% desse valor nas bolsas.

A escola existe desde 1986, e foi idealizada, entre outros fundadores, pelo jornalista e escritor colombiano - prêmio Nobel de Literatura - Gabriel Garcia Márquez. A seleção é aberta a profissionais de todo o mundo - 50 nacionalidades já passaram por lá. Para tentar uma vaga na instituição os candidatos precisam ter entre 22 e 30 anos e dois anos de estudos superiores ou técnicos, entre outros critérios. As inscrições estão abertas para uma nova seleção até o dia 3 de março, e as provas serão no dia 17 do mesmo mês.

Lei Rouanet pode ser reformulada

Na entrevista concedida pelo ministro da Cultura, Roberto Freire, hoje no Recife, ele voltou a anunciar a reformulação da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet. Disse que as mudanças se darão por instrução normativa, que deve ser lançada na próxima semana.

"Duas questões são críticas recorrentes e que estamos regulamentando na tramitação de forma a impor limites e incentivar a descentralização e democratização", explicou.

"Se crítica muito que recursos que vão também para eventos que não correspondem ao que significa incentivo. Vou dar um exemplo: o Circo de Soleil, que é uma coisa internacional e não tinha porque a lei Rouanet... algo que seria evidentemente atendido pelo próprio mercado", afirmou.

Também será criado um mecanismo para favorecer projetos criados para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O motivo seria, segundo o ministro, uma concentração dos projetos atendidos atualmente no Sudeste. "Nós estamos criando e induzindo que pode ter algum ganho aquele que aplicar nessas regiões que são menos atendidas. Vamos ver se funciona".

O ministro falou à imprensa na comemoração de três anos de existência do Paço do Frevo e 110 anos do Frevo, considerado patrimônio imaterial da humanidade. O espaço cultural, mantido pela prefeitura do Recife e gerido pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão - IDG, organização social sem fins lucrativos, recebeu hoje, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), uma certificação de Centro de Referência pelos serviços prestados na preservação e continuidade do frevo.

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