Blocos de carnaval do Rio que promovem a diversidade correm em busca de recursos

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

Importantes para a promoção da diversidade, os blocos de carnaval do Rio de Janeiro correm para buscarem patrocínio. Financiamentos coletivos, negociação de descontos e parcerias com o setor privado são usados para captarem recursos e promoverem a inclusão.

No seu 13º desfile, o Ponto de Cultura Coletivo Carnavalesco Tá Pirando, Pirado, Pirou!, conhecido como Bloco do Pinel, presta homenagem este ano ao criador do Teatro do Oprimido, Augusto Boal. O apelido é uma referência ao Instituto Municipal Philippe Pinel, de psiquiatria, que funciona no bairro da Urca, zona sul do Rio.

O enredo foi sugerido pela esposa de um paciente que se trata no Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ipub-UFRJ) e se chama "Meu caro amigo Augusto Boal, o arco-íris do desejo vai brilhar no carnaval!". "Boal desfilava no nosso bloco e nos ajudava cedendo o espaço do Centro do Teatro do Oprimido para os nossos eventos", disse o coordenador geral do bloco, o psicanalista Alexandre Ribeiro Wanderley.

O samba-enredo vencedor do concurso deste ano foi composto por Messias do Horizonte, funcionário do Centro de Atenção Psicossocial Franco Basaglia, e Enéas Elpídeo, coordenador da Oficina de Composição Musical e Registro Fonográfico do bloco, que também faz tratamento psiquiátrico nessa unidade.

O desfile será no dia 19, na Avenida Pasteur, na Urca, pela manhã. Como perderam este ano o patrocínio da Petrobras, os organizadores lançaram uma campanha de financiamento coletivo pela internet, para conseguirem contratar um caminhão de som. A comissão de frente está sendo ensaiada pelo Instituto Augusto Boal e pelo grupo Pirei na Cenna, que trabalha com usuários de saúde mental utilizando técnicas do Teatro do Oprimido.

Animais

Para mostrar que a inclusão não se restringe só aos humanos, uma festa especial reunirá no próximo domingo (12), na Praça Saens Peña, na Tijuca, zona norte carioca, animais e humanos no evento Carnavacão, patrocinado por uma empresa de medicamentos veterinários. A festa terá bloco carnavalesco, além de petiscos e bebidas para animais e pessoas.

No outro lado da cidade, no ParCão da Lagoa, na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul, os desfiles de carnaval são organizados por raças definidas. A área, que pertence à administração municipal carioca, foi adotada em 2013 pelo adestrador de animais Janildo Santana, dentro do programa de adoção de áreas verdes da prefeitura. No dia 12, a festa reúne cães da raça Dachshund, conhecidos também como salsicha ou linguicinha.

No sábado (18), Santana pretende fazer um bailinho de carnaval, aberto a várias raças. Já no domingo (19), será a vez dos cães labradores dominarem a folia carnavalesca, pela manhã, e os dálmatas, à tarde. E um detalhe, todos devem ir fantasiados. Santana recomenda apenas aos donos dos animais de estimação que não coloquem fantasias pesadas nos bichos devido ao calor.

Gargalhada

O carnaval da inclusão 2017 será desfalcado de um bloco tradicional, o Gargalhada, que sai na Avenida 28 de Setembro, em Vila Isabel, zona norte do Rio, e prega a diversidade. "Este ano, [o bloco] não vai sair. Está muito difícil, o carnaval está muito caro. Um carro de som é uma fortuna, a banda de músicos também", disse a fundadora do bloco, Yolanda Braconnot.

Pioneiro em termos de inclusão de pessoas consideradas diferentes ou especiais, o Gargalhada completa 13 anos de vida. Com o slogan "Se quiser chegar, é só gargalhar", a agremiação tem duas porta-bandeiras, uma com Síndrome de Down e outra da terceira idade, além das madrinhas "gargalhetes". Uma delas é o filho de Yolanda, Leonardo, deficiente auditivo, que desfila como a drag queen Kitana McNew.

A princípio, os componentes do Gargalhada participarão apenas do baile de carnaval no Clube Vila Isabel, no mesmo bairro, mas Yolanda Braconnot ainda não perdeu as esperanças finais de ter o desfile. "Estou fazendo as últimas tentativas", explicou.

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